Dia Mundial

Redes sociais, o planeta paralelo onde vivem três mil milhões de pessoas

Redes sociais, o planeta paralelo onde vivem três mil milhões de pessoas

Há redes sociais para todos os gostos, mas o Facebook, que sobreviveu às últimas crises, continua a dominar o meio, secando tudo o que nasce à volta. Em 2018 rendeu 50 milhões de euros.

As polémicas teimam em não parar, mas o número de utilizadores de redes sociais aumenta a cada dia. Em 2019, em todo o Mundo estão registados 2,77 mil milhões de utilizadores. Uma espécie de planeta paralelo que em 2021 poderá atingir os 3,02 mil milhões de pessoas registadas.

Os últimos dados do portal Statista datam de abril e dão conta de uma supremacia sem igual por parte do Facebook. São 2320 milhões de utilizadores para os 1900 milhões do YouTube. Mas o domínio da rede social de Mark Zuckerberg é ainda maior se juntarmos as várias plataformas que estão sob o domínio da gigante californiana. Só com o WhatsApp (1600 milhões), o Messenger (1300 milhões) e o Instagram (mil milhões) são quase mais quatro mil milhões de contas.

O "polvo" que tudo controla

O número não surge por acaso e reflete a estratégia do Facebook: comprar o que pode ser concorrência. Foi assim em 2012, com o Instagram, por cerca de mil milhões de euros; e em 2014, com o WhatsApp, comprado por 15 mil milhões de euros. Um império que todos os anos multiplica por milhares de euros os seus utilizadores. E que rendeu mais 50 milhões de euros, só em 2018.

Uma empresa que controla tanto do que fazemos que Chris Hughes, um dos seus fundadores, veio a público pedir para que se "quebrasse o Facebook". O cofundador da rede defende que o Estado deve mesmo intervir de forma a diminuir o controlo que o Facebook tem, principalmente depois das polémicas a envolver a Cambridge Analytica, e quando a rede acaba de lançar uma moeda virtual: a libra, a ser usada para transações entre particulares e estabelecimentos e que vai estar integrada no WhatsApp e Messenger. O Facebook é agora um monopólio e as compras do Instagram e do WhatsApp "deveriam ser revertidas", defendeu Hughes num longo artigo no jornal "The New York Times".

"Quem controla as redes possui o domínio de um espaço vital no modo de existir contemporâneo", alerta José Antonio Martinuzzo, especialista em novos médias e investigador na Universidade Federal do Espírito Santo, no Brasil. "As tecnologias apresentam-se como ferramentas dóceis, ajustando-se a quaisquer usos, não obstante serem aplicadas impiedosamente para controlar tudo", defende.

Redes de nicho no futuro

Apesar do domínio do Facebook, há redes que se têm tornado populares, principalmente junto dos mais jovens, que não querem estar nos mesmos espaços que os pais.

O WhatsApp, que permite conversação privada em grupo, é uma delas. Mas há mais como o Telegram, uma app que se destaca pela encriptação de mensagens. "Há uma clara tendência de busca por microrredes, que preservem mais a privacidade das pessoas e onde os utilizadores podem manter relações apenas com pessoas já conhecidas", justifica Sergio Denicoli, investigador da Universidade do Minho.

Celebra-se desde 2010, por iniciativa do portal Marshable. Portugal foi um dos primeiros países a associar-se ao evento. "Pode ser uma maneira de colocar o assunto na ordem do dia e de nos ajudar a pensar no que tem mudado na ideia de rede social ao longo dos anos", diz Luís Pereira, especialista da Universidade de Coventry, no Reino Unido. Um dia que pode ser particularmente importante para os mais novos, como forma de "promover uma consciência cívica e participativa, que passa já, e com tendência para aumentar, pelo mundo online".

142 minutos a atualizar as redes

Em média, cada utilizador tem 7,6 contas em diferentes plataformas de media social e gasta 142 minutos por dia a atualizar o perfil ou a ver as últimas atualizações feitas pelos amigos.

O fim das SMS?

O Messenger e o WhatsApp processam mais de 60 mil milhões de mensagens diariamente. Deixaram de ser uma alternativa às SMS e são a plataforma cada vez mais usada para troca de mensagens.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG