Inteligência Artificial

Robô Pepper "pensa alto" para melhorar a interação com humanos

Robô Pepper "pensa alto" para melhorar a interação com humanos

Um grupo de investigadores italianos programou um robô humanoide para "pensar alto" numa tentativa de melhorar a comunicação entre robôs e humanos, revelou um estudo publicado, na quarta-feira, na revista "iScience".

Com cerca de 1 metro e 20 centímetros, o robô Pepper foi lançado pela empresa japonesa Softbank Robotics, em 2015, e tem características semelhantes às humanas. "Há uma ligação entre a fala interior e o subconsciente [em humanos], então queríamos investigar essa ligação num robô", explicou a principal autora do estudo, Arianna Pipitone, da Universidade de Palermo, em Itália.

"Se pudéssemos ouvir o que os robôs pensam, o robô poderia ser mais confiável", adiantou em comunicado Antonio Chella, coautor da investigação. "Os robôs serão mais fáceis de entender e não é necessário ser um técnico ou engenheiro. De certa forma, podemos comunicar e colaborar melhor com o robô."

Detetou erro mas deu prioridade ao comando humano

Como parte da investigação, os cientistas procuraram explorar como o "pensamento em voz alta" afeta as emoções do robô. Para isso, puseram Pepper a ajudar um humano a preparar uma mesa de jantar, com base em regras de etiqueta. Assim que a pessoa pediu ao robô para contrariar as regras, colocando o guardanapo no lado errado, este notou que algo não estava bem, dizendo que o humano poderia estar confuso e questionando se deveria prosseguir com a ação. "Esta situação incomoda-me. Eu nunca quebraria as regras, mas não posso incomodá-lo, então estou a fazer o que ele quer", disse Pepper, em voz alta, depois de o participante ter confirmado o pedido, colocando o guardanapo no local solicitado. Neste caso, foi possível verificar que o robô resolveu um dilema priorizando o comando humano.

Ao comparar o desempenho de Pepper com e sem a função de fala, os investigadores descobriram que o robô tinha uma taxa de conclusão de tarefas mais alta quando dialogava. Com isto, é pretendido que se construa uma melhor confiança entre humanos e robôs, além de contribuir para o desempenho das máquinas como colaboradoras e assistentes pessoais.

Inovação traz desvantagens

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Contudo, uma desvantagem desta tecnologia é que o robô pode levar mais tempo a concluir tarefas quando necessita de parar a ação para falar consigo próprio - o que pode ser ineficiente em determinadas circunstâncias.

"Existem muitas outras situações em que este tipo de tecnologia pode ser irritante. Por exemplo, se eu der uma ordem - como 'apaga a luz' - a fala interna pode não ser tão útil, porque eu quero que o robô apenas obedeça ao pedido", admitiu um dos autores do estudo.

Assim que a capacidade dos robôs for mais desenvolvida no futuro, este tipo de programação poderá ajudar as pessoas a perceber as suas competências e limitações.

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