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Sonda da NASA vai embater num asteróide para o desviar da órbita da Terra

Sonda da NASA vai embater num asteróide para o desviar da órbita da Terra

A NASA lançou, esta madrugada, uma sonda que irá testar a possibilidade de desviar um asteróide da órbita da Terra, embatendo num pequeno planeta a uma velocidade de 24 mil quilómetros por hora.

A missão da NASA pretende ajudar a humanidade a proteger-se de asteróides. Este teste "será histórico", disse Tom Statler, um cientista da agência espacial norte-americana que participa da Missão de Teste de Redirecionamento de Asteroide Binário (DART), numa conferência de imprensa. "Pela primeira vez, a humanidade mudará o movimento de um corpo celeste natural no espaço", indicou.

Este é apenas um ensaio geral, uma vez que o asteróide alvo não representa uma ameaça para a Terra, mas a missão está a ser levada muito a sério pela NASA.

A missão, batizada da DART (dardo, em tradução simples), deslocou da base de Vandenberg, na Califórnia, a bordo do foguete da Falcon 9 da SpaceX, às 22.21 horas de segunda-feira (6.21 horas de quarta-feira, em Lisboa). A nave é mais pequena que um automóvel e tem dois longos painéis solares. Deve atingir no próximo outono, em cerca de 10 meses, um asteróide do tamanho de um campo de futebol (cerca de 160 metros de diâmetro), que estará localizado a 11 milhões de quilómetros da Terra.

O asteróide chama-se Dimorfos e é uma lua, que orbita uma asteróide maior, chamado Didymos (780 metros de diâmetros). Para dar a volta ao maior asteróide, Dimorphos demora 11 horas e 55 minutos. Os cientistas esperam reduzir a órbita em cerca de 10 minutos. "É uma mudança muito pequena, mas pode ser tudo o que precisamos para desviar um asteróide da colisão com a Terra [...]", adiantou Tom Statler.

Os resultados vão ser utilizados em cálculos para ajudar a determinar, no futuro, quanto peso deve ser projetado contra um determinado tipo de asteróide para provocar um desvio.

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O asteróide não vai aparecer nas imagens transmitidas pela sonda, ficando apenas disponível dois minutos antes da colisão.

As imagens ficarão disponíveis a partir de um satélite desenvolvido pela Agência Espacial Italiana, que será lançado 10 dias antes do impacto e usará o seu sistema de propulsão para desviar ligeiramente o seu próprio caminho. Três minutos após a colisão, o satélite irá sobrevoar Dimorphos, para observar o efeito da colisão e, talvez, a cratera na superfície.

A órbita do asteróide Didymos em torno do Sol também poderá ser ligeiramente alterada, devido à relação gravitacional com a sua lua, ficando de fora de um caminho potencialmente para a Terra.

O custo total da missão - a primeira interplanetária lançada pela empresa de Elon Musk para a NASA - é de 330 milhões de dólares (cerca de 293 de milhões de euros).

Asteroides podem destruir continentes inteiros

Os asteroides são elementos fundamentais que sobraram do Sistema Solar. No caso extremamente raro de o caminho de uma rocha espacial em torno do Sol se cruzar com o da Terr,a de modo que os dois objetos se cruzem ao mesmo tempo, pode ocorrer uma colisão.

Objetos do tamanho de Dimorfos podem explodir com a energia de uma bomba nuclear, devastando áreas povoadas e causando dezenas de milhares de mortos. Asteroides com um diâmetro de 300 metros podem causar destruição em todo o continente e aqueles com mais de um quilómetro de diâmetro produziriam efeitos em todo o mundo.

Atualmente, a agência espacial norte-americana tem listados mais de 27500 asteroides de vários tamanhos próximos da Terra e "nenhum deles representa uma ameaça nos próximos 100 anos", assegurou o diretor da divisão científica da NASA, Thomas Zurbuchen. Os especialistas estimam que apenas 40% dos asteroides têm 140 metros de diâmetro ou mais.

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