La Palma

Telescópio GOTO: em busca de colisões de sóis mortos no topo de uma montanha

Telescópio GOTO: em busca de colisões de sóis mortos no topo de uma montanha

No topo de uma montanha em La Palma, Espanha, um novo telescópio aproxima os astrónomos dos segredos do Cosmos. A missão é só uma: detetar a colisão de sóis mortos, conhecidos como estrelas de neutrões, chave para a compreensão do Universo.

Uma estrela de neutrões é um sol morto que se desmoronou sob o seu imenso peso, esmagando os átomos que antes o faziam brilhar. Estas estrelas têm uma gravidade tão forte que são atraídas uma pela outra, colidindo e fundindo. Quando isso acontece, criam uma luz e uma poderosa onda de choque ondula pelo Universo.

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A colisão de estrelas de neutrões é a chave para a compreensão do Universo, uma vez que os cientistas acreditam que criaram os metais pesados que formaram estrelas e planetas como a Terra há milhares de milhões de anos. Porém, como a luz destas colisões só é visível durante algumas noites, os telescópios devem ser suficientemente rápidos para as localizarem.

Agora, observador ótico transitório de ondas gravitacionais (GOTO), localizado na ilha vulcânica espanhola de La Palma, poderá detetá-las. Para ter uma visão clara do céu, o telescópio está situado no pico de uma montanha. Quando se dá uma colisão e a onda de choque, chamada onda gravitacional, e se distorce o espaço, o novo telescópio entra em ação para encontrar a localização exata da luz.

"Pensar-se-ia que estas explosões são muito energéticas, muito luminosas, que deve ser fácil. Mas estamos a ter de procurar em 100 milhões de estrelas o único objeto em que estamos interessados. Temos de fazer isso muito rapidamente porque o objeto desaparecerá em dois dias", explica o professor de astrofísica Joe Lyman à BBC. "Quando surge uma deteção realmente boa, é preciso aproveitar ao máximo. A velocidade é essencial", concorda Danny Steeghs, da Universidade de Warwick, em La Palma.

A equipa trabalha em conjunto com outros astrónomos para estudar a colisão. Quando identificam a colisão, voltam-se para telescópios maiores e mais poderosas em todo o mundo para sondar o evento astronómico com mais detalhe e em diferentes comprimentos de onda. "Agora já não esperamos novas descobertas. Em vez disso, estamos a ser informados de onde encontrá-las e a descobrir, peça a peça, o que existe no Universo", rematou Kendall Ackley, cientista de instrumentação do GOTO.

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