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Utilizadores do Facebook são um filão publicitário

Utilizadores do Facebook são um filão publicitário

Os conteúdos partilhados por milhões nas redes sociais não são apenas públicos, são preciosas mensagens de marketing e publicidade. Os utilizadores são cada vez mais olhados como consumidores. Mas parece não haver preocupação com a privacidade.

Mais do que um problema de privacidade, os dados partilhados nas redes virtuais são um manancial para a publicidade.

Segundo o investigador da Universidade da Beira Interior João Canavilhas, "a utilização por parte das empresas dos nossos dados divulgados no Facebook não deixa de ser algo parecido com o nosso dia-a-dia".

Mas a porta-voz da Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD), Clara Guerra, sublinha que "o consumidor tem que consentir e a rede social tem que informar correctamente sobre como vai utilizar os dados".

"O utilizador tem que saber rigorosamente quem vai tratar os dados, com que finalidade e como é que pode aceder a eles e revogar o seu consentimento".

Não havendo ainda legislação no que se refere a dados livremente publicados pelos utilizadores nas redes sociais (em especial no Facebook, que conta com 500 milhões), é frequente os utilizadores não se aperceberem de que cada vez que clicam "gosto disto" ou descarregam aplicações os seus dados ficam registados num sistema de classificação automática de perfis de consumidores.

Irene Cano, manager do Facebook para Portugal e Espanha, esteve em Lisboa recentemente a demonstrar o que acontece na rede social mais abrangente do mundo: "o Facebook é o maior gráfico social do Mundo", ou seja, não é nada mais nada menos do que uma gigantesca plataforma virtual que armazena grande quantidade de informação livremente disponibilizada.

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Ferramenta poderosa

Esta informação (ou gráfico social), preciosa para as empresas, "é o conjunto de relações que uma pessoa tem desde o dia em que nasce até ao dia em que morre, começando por um meio familiar reduzido e crescendo à medida que socializa". Deste gráfico social "fazem parte as marcas e as instituições com as que cada pessoa interage no dia-a-dia", sublinhou Irene Cano.

Os utilizadores destas redes são encarados pelas empresas como preciosas mensagens de marketing e publicidade que são partilhadas em simples conversas, ou na partilha de gostos, vídeos e muito mais.

Clara Guerra salienta que "o facto do utilizador tornar pública certa informação não dá direito a terceiros para aplicar sistemas informáticos de recolha dessa informação, trabalhá-la e classificar (vulgo profiling).

Segundo Irene Cano, o Facebook limitou-se a fazer o que ainda faltava: digitalizou o gráfico social e levou-o para a internet".

"Estamos perante uma ferramenta poderosíssima para chegar ao consumidor, com a vantagem de o Facebook oferecer um mercado global segmentado de forma gratuita", prosseguiu João Canavilhas.

O docente na área de Comunicação não vê, no entanto, problemas de privacidade de dados. "O controlo da informação está sempre do lado de quem entra numa rede social. Os utilizadores devem disponibilizar apenas a informação que acham que podem publicar".

Embora não haja legislação nacional, o Conselho da Europa aprovou em Dezembro novas restrições ao profiling.

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