Almada

Adiadas alegações finais do caso da morte de Açucena Patrícia

Adiadas alegações finais do caso da morte de Açucena Patrícia

O tribunal de Almada adiou as alegações finais do processo referente ao atropelamento mortal de Açucena Patrícia, irmã de Yannick Djaló, nas Festas da Moita, que deviam ter decorrido esta quarta-feira de manhã, para 13 de dezembro.

Os serviços prisionais, que esta manhã deviam ter levado o arguido, Abel Fragoso, ao Tribunal de Almada, não o fizeram a tempo do início da audiência.

O tribunal quer ouvir as declarações que o arguido prestou em primeiro interrogatório, quando admitiu ter irrompido por uma travessa para se vingar de quem o tinha agredido numa festa antes na mesma noite. A defesa do arguido apelou a que estas declarações não fossem tidas em conta pelo tribunal, alegando que o arguido as fez por indicação da então advogada oficiosa, mas o coletivo de juízes faz mesmo questão de as ouvir.

Abel Fragoso, 23 anos, responde pela morte da irmã de Yannick Djaló, bem como por 16 crimes de homicídio qualificado tentado, relacionados com aqueles que atingiu com a sua viatura na madrugada de 15 de setembro. O MP defende que, num estado embriagado e após ter sido agredido na Travessa do Açougue, onde decorria uma festa com cerca de cem pessoas, o arguido foi buscar o carro, retirou com as próprias mãos as baias de segurança na rua de acesso ao centro da Moita, ignorou a ordem de paragem por elementos da GNR e irrompeu pelo beco. Aqui atingiu várias pessoas, entre as quais Açucena Patrícia, que nada tinha que ver com as agressões anteriores e festejava com amigos o regresso às aulas.

No início do julgamento, o arguido negou ter irrompido propositadamente pela travessa e defendeu que se tratou de um acidente causado pelo excesso de álcool e inexperiência na condução. Abel Fragoso lamentou a morte de Açucena Patrícia e disse que estava num outro bar com amigos quando decidiu ir ao carro buscar a carteira. "Fui agredido perto do carro, não naquela travessa, e depois decidi voltar para junto dos meus amigos, mas o carro despistou-se".

Yannick Djaló exige em tribunal 175 mil euros pela morte da irmã. Desse valor, 125 mil são a título da perda da vida, 30 mil euros pelo sofrimento da vítima antes da morte e 20 mil pelo sofrimento do jogador pela perda da irmã, então com 17 anos.