Tribunal

Agente da PSP "Dino" condenado a oito anos de prisão por tráfico de droga

Agente da PSP "Dino" condenado a oito anos de prisão por tráfico de droga

Bernardino Mota, conhecido como "Dino", o agente da PSP da esquadra de Gondomar acusado de liderar uma rede de importação de haxixe, foi esta terça-feira condenado a oito anos de cadeia pelo Tribunal do Porto.

Os outros três principais arguidos, que tal como o agente "Dino" Mota estão em prisão preventiva, também foram sentenciados com penas efetivas de prisão, que variam entre os 5 e os 6 anos. Para os condenar, o coletivo de juízes do Tribunal de S. João Novo baseou-se essencialmente nas escutas telefónicas, mas também nas interceções realizadas dentro do veículo usado pelos traficantes, onde investigadores da PSP tinham colocado um "micro espião", para ouvir todas as conversas.

"Dino", que foi detido no verão do ano passado na posse de 120 quilos de haxixe importados de Espanha, foi acusado de ter trazido para Portugal pelo menos 810 quilos de haxixe.

De acordo com o despacho de acusação, "Dino", Tiago Sousa, Carlos Silva e Márcio Pereira começaram a importar haxixe diretamente de Espanha para o Porto em maio de 2018. Ao todo, organizaram ou participaram diretamente em 27 viagens, que lhes permitiram trazer entre 30 a 60 quilos de haxixe de cada vez.

Pelas contas do MP, os indivíduos compravam os fardos de haxixe na zona de Málaga, a 750 euros o quilo, e vendiam depois o produto na zona do Grande Porto por 1250 euros. Ou seja, ganhariam 500 euros em cada quilo de droga que importavam, correspondendo a um lucro total de mais de 400 mil euros, desde que o esquema começou, em maio 2018.

Para além de organizarem as viagens e arranjarem o dinheiro para comprar os fardos, os indivíduos também asseguravam a entrega da droga a oito clientes, que foram constituídos arguidos no processo. A acusação descreve várias viagens efetuadas pelo grupo e numa delas, a 12 e 13 de junho de 2018, "Dino" teve de meter dois dias de baixa médica para poder acompanhar os cúmplices. Queria resolver um problema de falta de dinheiro para comprar droga diretamente com os fornecedores em Espanha.

PUB

O agente da PSP nunca conduzia os carros em que era transportado o haxixe, servindo de segurança ou batedor, num esquema conhecido no mundo do tráfico como o "GoFAst". Seguia à frente, atento à eventual presença de autoridades pelo caminho e avisava o condutor do carro carregado, que seguia alguns quilómetros atrás. Noutra ocasião, em julho de 2018, teve de solicitar dois dias folga sindical para poder acompanhar outra viagem.

"Dino" era muito cuidadoso. Usava métodos de contravigilância e telemóveis especiais que garantem anonimato. Também desmontava o aparelho mantendo-o desligado e deixando-o em casa, sempre que ia ao Sul de Espanha.

"O Bernardino tinha muito cuidado. Não falava nos seus telefones sociais. Por isso, colocámos um micro dentro do Seat Ibiza, que era usado para trazer o haxixe", explicou, durante o julgamento, Manuel Rodrigues, o chefe da PSP que liderou a investigação e que pôde assim ouvir todas as conversas tidas dentro do veículo usado para importar a droga.

Outras Notícias