Violência doméstica

Agredidas depois de perdoar maus tratos dos maridos

Agredidas depois de perdoar maus tratos dos maridos

Mulheres apresentaram queixas, mas aceitaram que os processos fosses suspensos provisoriamente. Decisão que originou novas agressões de quatro homens detidos pela GNR.

As autoridades anunciaram, nesta quarta-feira, a detenção de quatro homens pelo crime de violência doméstica. Quase todos atacaram as companheiras depois de estas terem aceitado que os processos relativos às queixas apresentadas fossem temporariamente suspensos.

Uma das detenções ocorreu em Penafiel e visou um homem, de 39 anos, que, ao longo dos oito meses de duração da relação, ameaçou de morte e agrediu a companheira, algumas vezes em frente à sua própria filha. Também a submeteu a abusos sexuais.

A mulher, de 42 anos, apresentou uma primeira queixa, mas aceitou que o processo ficasse suspenso provisoriamente e que o companheiro não fosse alvo de qualquer penalização. Contudo, este nunca se conformou com o fim do relacionamento e começou a perseguir a vítima na sua residência e espaço de trabalho. Também a surpreendia noutros locais, o que levou a mulher a acionar um botão de pânico várias vezes, com receio de ser atacada. Com antecedentes criminais, alcoólico e descrito como violento, o agressor foi detido pelo Núcleo de Investigação e Apoio a Vítimas Específicas (NIAVE) de Penafiel da GNR.

Telemóveis partidos para impedir pedido de socorro

O NIAVE de Penafiel deteve também um sexagenário, que, durante 21 anos, agrediu a esposa. Esta era acusada de ter amantes e, por esse motivo, tinha todas as suas rotinas controladas. Os comportamento obsessivos do marido levaram a vítima a apresentar queixa em 2018, mas também esta acabou por aceitar a suspensão provisória do processo. Em junho de 2019, o casal reaproximou-se e, apesar do divórcio concretizado, a vítima permitiu que o agressor voltasse a residir na casa da família.

As ameaças de morte e insultos mantiveram-se, com o sexagenário a partir os telemóveis da vítima para que esta não pudesse pedir auxílio. Aterrorizada, a mulher, agora com 57 anos, apresentou segunda queixa.

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Vinha do estrangeiro para bater

Em Vila Nova de Gaia, uma mulher também sofreu maus tratos durante os 25 anos de casamento. Mas, tal como nos casos anteriores, desistia dos procedimentos criminais, o que permitiu que o agressor nunca fosse punido.

Segundo a GNR, "os episódios de violência eram recorrentes" sempre que o indivíduo, de 59 anos, regressava a casa de longas temporadas passadas no estrangeiro, a trabalhar. Tudo piorou quando o emigrante decidiu permanecer em Portugal e as discussões começaram a ser regulares. "No início de maio, a vítima, aterrorizada, fugiu de casa após um ataque de fúria do agressor, tendo este praticado injúrias, ameaças de morte e agressões físicas", descreve a Guarda que, através do NIAVE do Porto, deteve o emigrante nesta terça-feira.

Dinheiro controlado para forçar dependência

No dia anterior, segunda-feira, o NIAVE do Porto deteve, de igual modo, um alcoólico que agrediu, injuriou e ameaçou de morte a mulher com quem casou há 20 anos. "Movido por ciúmes, o agressor passou a perseguir a vítima, controlando todos os seus movimentos e todos os rendimentos do casal, para que esta fosse completamente dependente do suspeito", descreve a GNR. Recentemente, a vítima foi forçada a sair de casa.

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