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GNR diz que arguido de Alcochete se identificou com jornalista

GNR diz que arguido de Alcochete se identificou com jornalista

Um dos GNR ouvidos, esta terça-feira, disse que Emanuel Calças, um dos arguido da invasão à Academia de Alcochete, identificou-se como jornalista para evitar ser detido na tarde do dia 15 de maio de 2018.

O segundo dia do julgamento das agressões a jogadores na Academia do Sporting começou, esta manhã, com o depoimento de um militar da GNR que acorreu ao local após o alerta dado às autoridades.

Tiago Mateus, militar do posto da GNR de Alcochete, referiu à juíza Sílvia Pires que um dos suspeitos que tentava fugir identificou-se à GNR como jornalista do Sporting, para poder entrar no seu carro e não ser detido pelos militares. Porém, por estar no local, não foi libertado e acabou por ser detido pelo envolvimento nas agressões aos jogadores. Durante esta terça-feira, serão ouvidos seis militares que intervieram nas detenções.

O militar identificou em Tribunal ser Emanuel Calças o suspeito, mas esta identificação foi rebatida por Miguel Fonseca, advogado de Bruno de Carvalho, que referiu que este não podia ser Emanuel Calças porque o arguido encontrava-se dentro de uma viatura.

Tiago Mateus referiu que a GNR demorou cerca de oito minutos a chegar à Academia. "Antes de chegar à Academia passámos por um grupo de encapuzados, mas a nossa preocupação era nessa altura perceber o estado dos feridos dentro da Academia". Quando a viatura da GNR chegou ao portão das instalações do Sporting, este encontrava-se fechado e o segurança referiu que nenhum dos agressores estava no interior.

Os militares cortaram depois a estrada EN 4. Nessa altura, um BMW X3 tentou abalroar a viatura da GNR e atrás desse carro seguiam outros dois veículos com suspeitos em fuga. Os ocupantes acabaram por ser detidos num parque de estacionamento perto da Academia e a GNR deteve outros suspeitos que seguiam apeados para os seus carros, entre os quais Emanuel Calças, que se identificou como jornalista.

"Estão todos a correr, cá dentro já não está ninguém"

Quando a viatura da GNR chegou à Academia do Sporting, foi alertada pelo segurança à porta para a fuga apeada dos agressores. "Estão todos a correr, cá dentro já não está ninguém", disse o segurança ao militar Tiago Mateus, espoletando assim a perseguição da GNR aos suspeitos.

No segundo dia do julgamento das agressões a jogadores do Sporting, o militar Tiago Mateus foi questionado por um advogado sobre se sabia se houve ordem de libertação dos 23 detidos, quatro horas antes de nova detenção, para apresentação ao Juiz de Instrução Criminal. "Não tenho ideia que tal tenha acontecido", respondeu Tiago Mateus.