Crime de Lamego

Aldeia teme que homicida vá ao funeral para matar o filho

Aldeia teme que homicida vá ao funeral para matar o filho

Igreja de Lalim, em Lamego, debaixo de forte segurança policial. Prosseguem as buscas para encontrar homem a monte que matou a ex-mulher e está fugido há seis dias.

Militares da GNR e inspetores da Judiciária à paisana estão a cercar e a limitar o acesso à Igreja de Lalim, onde esta tarde se realiza o funeral de Ana Maria Melo, de 56 anos, que foi morta pelo ex-marido, Henrique Carvalho, 63 anos, na passada sexta-feira, dia 14 de agosto, pela manhã. O crime, do qual há uma testemunha, Alexandra Carvalho, 37 anos, colega da falecida na fábrica Fumeiros Porfírio, está a provocar alarme social e alvoroço emocional na pequena aldeia do distrito de Viseu.

Foi um crime violento e aparentemente premeditado: cerca das 8.30 horas da manhã, Henrique, que estava armado e emboscado nos matos junto à Rua do Carvalhal, por onde a sua ex-mulher, de quem estava separado desde o início do ano, se dirigia diariamente para o trabalho, surgiu no caminho e disparou oito tiros à queima-roupa sobre a vítima. No local daquela estrada é visível ainda uma grande mancha de sangue com um metro de diâmetro.

A testemunha Alexandra Carvalho, que não conseguiu evitar o crime, também foi baleada - levou um tiro numa perna, mas a agressão terá sido superficial, porque a mulher está fisicamente bem, apesar de se encontrar traumatizada, assustada e de baixa médica. Ao JN, Alexandra, que mora no centro de Lalim, e perto da casa do homicida, escusou-se a prestar declarações, e só disse: "Fisicamente estou bem. Mas psicologicamente não. Foi tudo muito mau. E agora desculpa porque não vou dizer mais nada".

Pai ameaçou filho de morte

A grande preocupação das autoridades é agora Alexandre Carvalho, o filho mais velho de Henrique e Ana Maria, que estava desavindo com o pai desde que o casal se separou no início de 2020, devido às alegadas agressões do marido à mulher. O filho terá tomado o partido da mãe contra o pai. E Henrique não perdoará a posição do filho: é informação pública aqui em Lalim que o homem ameaçou o filho de morte - aliás, após o crime, teria telefonado a um conhecido seu dizendo justamente "agora só falta ele".

Alexandre Carvalho, que é casado, tem uma filha de um ano e mora também no centro da aldeia de Lalim, encontra-se agora debaixo de proteção policial e está a residir temporariamente noutra casa para sua proteção e da família.

Na aldeia teme-se que o homicida, que está a monte há já seis dias, possa aparecer esta tarde para cumprir a ameaça assassina, o que explica o forte dispositivo policial que a esta hora rodeia a igreja e o cemitério que vai acolher o corpo de Ana Maria Melo.

A presença policial, com militares da GNR e equipas cinotécnicas com cães pisteiros, além de operacionais da Polícia Judiciária e da Proteção Civil, é muito visível em toda a aldeia e nos montes e serras circundantes, prosseguindo ativamente a caça ao homem.

Fugiu ou já se matou?

Há várias teorias populares - é o assunto do momento na aldeia e todos têm opinião sobre os factos conhecidos, ampliando os seus rumores - quanto ao paradeiro do homicida, que continua a fintar a polícia. Uns dizem que já se matou e estará aí caído num ermo; outros dizem que fugiu e que já está longe, eventualmente em Espanha; outros ainda acreditam que Henrique Carvalho vai aparecer para cumprir a promessa vil.

Às 17 horas desta quarta-feira, quando faltava ainda meia hora para o funeral, o pátio exterior da igreja, que fica no cimo da vila rodeada por oliveiras, carvalhos e campos de fruto, sobretudo pereiras, um ex-líbris da região, estava já apinhado de gente que chegava lentamente com ramos de flores, semblante fechado e vozes baixas. Continuamente ouve-se cá fora o choro que se espalha estridente pelo ar dentro da igreja e o negro rumor do luto de pessoas mais chegadas à família da vítima contamina a entristecida aldeia.

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