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Alegre "indignado" com crime no SEF: "Há órgãos do Estado minados"

Alegre "indignado" com crime no SEF: "Há órgãos do Estado minados"

Manuel Alegre, militante histórico do PS, sente "uma grande indignação" com a morte do cidadão ucraniano, em março, no aeroporto de Lisboa. O socialista não pede mais demissões, mas critica a atuação do Governo e do presidente da República e diz que há órgãos do Estado que estão "minados".

"Sinto uma grande indignação. É um crime hediondo e que foi cometido em plena democracia. Põe em causa princípios fundamentais e fere gravemente a imagem de Portugal", afirmou Manuel Alegre ao JN.

O histórico do PS considerou "muito triste" que tenha passado "tanto tempo" até o Estado resolver indemnizar a família de Ihor Homeniuk: "Não gostei do comportamento de nenhum dos responsáveis políticos, desde o presidente da República ao primeiro-ministro e ao ministro Eduardo Cabrita", sustentou.

Alegre disse não relacionar este caso "direta e imediatamente" com o crescimento da extrema-direita em Portugal, mas deixou um alerta: "As democracias estão minadas por dentro. Os órgãos do Estado estão cheios de gente que ou não está preparada ou está infiltrada".

Na opinião do socialista, deveria ter havido maior celeridade no tratamento do caso do cidadão ucraniano que foi morto em instalações do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. "A diretora do SEF devia ter sido imediatamente demitida e os autores do crime deviam estar presos", sustentou. Recorde-se que a diretora do SEF, Cristina Gatões, só esta semana, nove meses depois do crime, apresentou a demissão.

"No exílio, não me lembro de nenhum português tratado assim"

Manuel Alegre diz ter ficado "ultra-chocado" ao ver a viúva de Homeniuk dizer, nas televisões, que não consegue ouvir falar em Portugal. "É inaceitável que não se tenha pago a trasladação do corpo", defendeu.

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O histórico do PS também aludiu ao período do Estado Novo para sublinhar a gravidade do crime ocorrido no Aeroporto de Lisboa: "Eu estive exilado e não me lembro de ver um português ser tratado dessa maneira no estrangeiro".

"Se um crime desta dimensão ocorresse durante a ditadura nós, os resistentes, faríamos um barulho que nunca mais acabava", garantiu Manuel Alegre.

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