Operação Marquês

Amigo diz que Sócrates já lhe devolveu 250 mil euros

Amigo diz que Sócrates já lhe devolveu 250 mil euros

Carlos Santos Silva, o empresário suspeito de ser testa de ferro do ex-primeiro-ministro José Sócrates, disse esta sexta-feira, em tribunal, que o amigo já lhe devolveu 250 mil dos 510 mil euros que lhe emprestou, para gastos que, na sua maioria, desconhece.

O Ministério Público (MP) defende, porém, que em causa está dinheiro que pertenceria, na realidade, ao antigo governante socialista.

Ao que o JN apurou, no terceiro e último dia de interrogatório na instrução da Operação Marquês, em Lisboa, Santos Silva manteve a linha de defesa adotada nas sessões anteriores e assegurou, mais uma vez, ao juiz Ivo Rosa que é mesmo o proprietário de tudo aquilo que o MP acredita ser pertença do ex-primeiro-ministro.

A lista inclui o apartamento de luxo onde Sócrates residiu durante parte da sua estadia em Paris, França, para onde se mudou após abandonar o Governo, em 2011. A garantia contraria as escutas - reproduzidas pelo MP na acusação - em que o antigo governante e a ex-mulher, Sofia Fava, aparentam combinar a remodelação da casa, mas, ontem, o empresário admitiu apenas que o amigo visitou o imóvel para dar opinião.

O apartamento foi comprado por 2,8 milhões de euros e, para o MP, a aquisição foi somente mais uma forma de Sócrates branquear dinheiro. Outra terá sido a compra, por Fava, de uma herdade no Alentejo.

Milhões acumulados

Segundo a acusação, o negócio, datado de 2011, foi financiado por um empréstimo e uma garantia bancária assegurados por Santos Silva. Em fevereiro, Fava justificara a opção com a relação de amizade que existia entre ambos e, ontem, o empresário garantiu que a sua intenção foi só ajudar.

Já sobre os 173 mil euros gastos na compra de 6774 exemplares do livro "A Confiança do Mundo", Santos Silva explicou que se tratou de uma iniciativa sua, uma vez que queria ver a obra do amigo a liderar as vendas. Frisou, ainda, que não quis que o ex-primeiro-ministro lhe pagasse algumas das férias que lhe ofereceu.

No total, Sócrates terá acumulado, segundo o MP, mais de 20 milhões de euros, alegadamente obtidos de forma ilícita, em contas de Santos Silva. O empresário está acusado, no total, de 33 crimes de corrupção, branqueamento de capitais, falsificação de documento e fraude fiscal, 29 dos quais em coautoria com Sócrates. Dizem-se ambos inocentes.

Ministros inquiridos

A instrução - destinada a apurar se existem indícios suficientes para o processo seguir para julgamento - continua na próxima semana com a inquirição de cinco testemunhas. Três foram ministros nos governos de Sócrates. As audições são à porta fechada.

Advogado satisfeito

Pedro Delille, advogado do ex-primeiro-ministro, considerou ontem, à saída do Tribunal Central de Instrução Criminal, que o depoimento de Santos Silva foi "muito esclarecedor". "Fazemos uma avaliação muito positiva", afirmou.

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