Homicídio

Acusado de matar estudante no Porto pressentiu "algo de grave"

Óscar Queirós

Jean Paul Jelali, também arguido, responde por crime de ofensas à integridade física

Foto José Carmo / Global Imagens

O estudante francês que está acusado de ter matado um jovem português à pancada durante uma festa universitária no Porto, continuou a negar em tribunal esta segunda-feira o crime, mas diz que ficou atormentado quando percebeu que "algo de grave se passara".

Anas Kataya, de 22 anos, está em prisão preventiva desde outubro do ano passado sob a acusação do homicídio qualificado de Paulo Correia, como ele também estudante universitário, continua a negar que naquela noite de outubro de 2021, frente à escadaria do Coliseu, se tenha envolvido à pancada com a vítima. Assume ter respondido a uma agressão, mas era outra a pessoa e não Paulo, cuja foto lhe foi mostrada.

Na última audiência pediu que fosse exibido um vídeo onde aparece com ar constrangido e que terá sido feito por um amigo depois da pancadaria. O tribunal perguntou-lhe a razão do desânimo, ao que o arguido respondeu que "estava atormentado", acrescentando que não era porque tivesse morrido alguém - "a essa hora desconhecia o facto" - mas porque adivinhara que se a Polícia o deteve foi porque "algo de muito grave tinha acontecido".

Nesta sessão foram ouvidas testemunhas de defesa, todos estrangeiros e colegas na Universidade Fernando Pessoa, que não viram "nunca" Anas junto do malogrado Paulo Correia.

Lucas, de nacionalidade francesa, contou ao tribunal que viu o amigo Anas "aterrorizado" e que o levou "para o pé do café Santiago", para o acalmar. E terá sido nessa altura que se apercebera de que "um jovem caiu" e, deixando Anas sozinho, foi ver o que se passava. Osvaldo, italiano, afirmou que esteve no local e que conhece o arguido, mas garante nunca o ter visto próximo da vítima. Laura Pascal testemunhou, por videoconferência, que assistiu ao início da briga e viu Paulo cair inanimado, mas Anas não estaria nem perto dali. Diz ter escutado "um ruído surdo", de "uma garrafa", mas não soube dizer mais, nem sequer o que significava "ruído surdo".

Os factos remontam à madrugada de 20 de outubro de 2021. Frente a uma discoteca lateral da escadaria do Coliseu do Porto. Haveria centenas de jovens universitários, a maior parte (aparentemente) "bem bebidos" e de repente dois grupos, um francês e outro português, envolveram-se numa cena de pancadaria de que resultou a morte de Paulo Correia, um jovem de Matosinhos.

Neste processo, além de Anas Kataya, em prisão preventiva suspeito de homicídio qualificado, está outro arguido, Jean Paul Jelali, este acusado de ofensas à integridade física. O julgamento continua.

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