Caso e-Toupeira

Ex-árbitro: "Tenho um familiar que foi despedido porque os patrões eram do Benfica"

Julgamento do processo e-Toupeira decorre em Lisboa

Foto Arquivo Global Imagens

Um ex-árbitro de futebol, António Perdigão da Silva, garantiu esta quarta-feira, em tribunal, que foi "perseguido" e "insultado" depois de ter sido tornado público que fora um dos profissionais cujos dados na Segurança Social foram acedidos e partilhados indevidamente online. Os factos acabariam integrados no processo e-Toupeira, atualmente em julgamento no Tribunal de Lisboa.

Em causa está, segundo o Ministério Público (MP), o alegado suborno por parte do então assessor jurídico da SAD do Benfica, Paulo Gonçalves, de dois funcionários judiciais para que estes espiassem, em 2017 e 2018, vários processos, alguns dos quais em segredo de justiça. As alegadas ofertas terão sido bilhetes para os jogos dos encarnados e camisolas das águias.

"Tive um familiar que foi despedido porque os patrões eram do Benfica", garantiu, ao testemunhar enquanto vítima, Perdigão da Silva, que abandonou a arbitragem em 2005. Entre agosto de 2017 e setembro de 2019 trabalhou como analista de arbitragem no Porto Canal, mas, esta quarta-feira, negou que os insultos se devessem a essa tarefa.

O ex-juiz assistente de futebol seria, nomeadamente, acusado de subornar árbitros e jogadores e foi mesmo alvo, assegurou, de uma falsa denúncia anónima.

"Eu tinha [no Facebook] conversas com adeptos do Benfica, civilizadas, acerca de opiniões que emitia no Porto Canal. Nunca foi motivo para ser tratado assim", alegou Perdigão da Silva. Os insultos e ameaças só pararam, precisou, depois da SAD do Benfica ter sido ilibada de qualquer crime na instrução do processo.

Paulo Gonçalves e os dois funcionários judiciais - José Augusto Silva e Júlio Loureiro - respondem, entre outros crimes, por corrupção e acesso indevido. Até agora só Júlio Loureiro quis falar no julgamento: negou que tenha sido favorecido ou transmitido informações sigilosas.