Polémica

Judiciária Militar dá louvor a sargento condenado por corrupção

Alexandre Panda

Paulo Manuel José Isabel é líder da PJM desde 2018

Foto Álvaro Isidoro / Global Imagens

A Polícia Judiciária Militar (PJM) acaba de louvar um sargento oriundo da GNR condenado a quatro anos de prisão com pena suspensa por crimes de corrupção.

O militar, integrado no Laboratório de Polícia Técnico Científica (LPTC) da PJM em 2015, está na iminência de ser expulso da Guarda por causa do processo em que outros três GNR foram sentenciados com penas suspensas, após recursos até ao Tribunal Constitucional. O louvor está a causar mal-estar na PJM.

O sargento Bruno C. e os outros militares foram detidos em 2014 pela PSP que investigava então um alegado esquema de corrupção e extorsão de sucateiros. Os visados, que pertenciam à investigação criminal da GNR, faziam parte de uma equipa especial de luta contra os crimes de furto e recetação de cobre. Terão fechado os olhos a diversas ilegalidade cometidas por sucateiros da Grande Lisboa que em troca entregavam dinheiro. A PSP fez várias vigilâncias e o Ministério Público (MP) acusou-os.

No tribunal de primeira instância, em Cascais, foram todos absolvidos, mas após um recurso do MP, o Tribunal da Relação de Lisboa condenou-os, criticando fortemente a decisão do coletivo de Cascais.

Os arguidos recorreram então para o Supremo Tribunal de Justiça que lhes negou provimento. Seguiu outro recurso para o Constitucional que, numa decisão de janeiro deste ano, também não lhes deu razão. O transito em julgado estará por isso por dias, com a consequente expulsão do sargento da GNR, por ter sido condenado a uma pena superior a três anos.

Mas, durante o percursos do processo judicial, Bruno C. transferiu-se para a PJM, onde se mantém há seis anos e onde, de acordo com os seus superiores, terá feito um trabalho exemplar.

"Pela afirmação constante de relevantes qualidades pessoais e humanas, de que se destacam a lealdade, a abnegação, o sentido de dever, o espírito de sacrifício e de obediência, assim como pela afirmação constante de elevados dotes de caráter, evidenciadas pelo Sargento Bruno Claro é inteiramente merecedor que os serviços por si prestados sejam reconhecidos como tendo contribuído significativamente para a eficiência, prestígio e cumprimento da missão da Polícia Judiciária Militar e do Ministério da Defesa Nacional", pode se ler no louvor assinado pelo atual diretor -geral da PJM, Paulo Manuel José Isabel e recentemente publicado em Diário da República.

Bruno C. chegou a estar envolvido na encenação da recuperação das armas furtadas no paiol de Tancos. Foi um dos peritos da PJM de piquete que foi ao local na noite em que as armas foram encontradas.