Julgamento

Lesões sofridas por Fernando "Conde" não foram a "causa da morte" do eletricista

Rui Dias

"Toni do Penha" é um dos suspeitos envolvidos na morte de "Conde"

Foto Miguel Pereira/global Imagens

A autópsia afasta também a hipótese de enfarte e não pôde concluir nada relativamente à possibilidade de afogamento.

A perícia ao cadáver de Fernando Ferreira (Conde), encontrado morto no Rio Ave a 22 de janeiro de 2020, depois de ter desaparecido 14 dias antes, é inconclusiva quanto à causa da morte. O médico legista responsável pela autópsia depôs, esta segunda-feira, no julgamento de António Silva (Toni) e Hermano Salgado (Mano), acusados de espancarem até à morte o eletricista de 63 anos.

De acordo com o testemunho do médico, "as lesões encontradas [no corpo de Fernando Ferreira] não podem ser consideradas causa da morte". A autópsia permitiu identificar lesões compatíveis com traumatismo junto da boca e no membro superior direito. O médico precisou que estas lesões ocorreram no período "perimortem", o quer dizer próximo da hora da morte. Contudo, o especialista não é capaz de precisar se aconteceram imediatamente antes de "Conde" morrer ou instantes depois.

Recorde-se que, de acordo com a versão dos factos relatada por Toni, o eletricista teria sido "apertado" a seu pedido por estar convicto de que este tinha furtado uma quantia a rondar os cem mil euros da sua residência, mas teria sido deixado com vida. Ainda segundo este relato, "Conde" ter-se-ia colocado em fuga em direção ao rio.

Embora tenha encontrado água nos pulmões do cadáver, a perícia médico-legal não conseguiu concluir pela morte por afogamento, em virtude do tempo que o corpo esteve na água. A análise aos órgãos internos afasta também a possibilidade de um enfarte, assegurou o médico em tribunal.

O julgamento vai continuar, numa altura em que se aguardam os testemunhos de dois inspetores da PJ que podem trazer luz sobre o aparecimento do carro de Fernando Ferreira, em julho passado, próximo do local do crime. Segundo a acusação, esta viatura teria sido levada para França pelo terceiro arguido neste processo, o proprietário de um stand, Paulo Ribeiro, de 50 anos.

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