Julgamento

Mário Machado escondeu-se em arrecadação durante ataque dos Hell's Angels

Mário Machado é testemunha no julgamento de motards dos Hell's Angels

Foto André Luís Alves / Arquivo Global Imagens

Mário Machado, antigo líder de vários movimentos de extrema-direita, contou esta segunda-feira, em tribunal, que, em 2018, se refugiou numa "arrecadação" durante o alegado ataque, por parte de elementos do grupo de motards Hell's Angels, a quem se encontrava na "festa privada" que organizara num restaurante no Prior Velho, Loures.

Segundo a acusação do Ministério Público, o ataque terá acontecido no âmbito de uma guerra pelo domínio e monopólio do submundo do crime entre os Hell's Angels ("anjos do inferno") e o seu rival internacional Bandidos MC, cujo grupo-satélite em Portugal estaria então a ser constituído por Machado e futuros membros com quem este estaria, na ocasião, reunido no restaurante. Machado conseguiu escapar, mas alguns dos seus interlocutores ficaram feridos.

No total, terão sido 29 os elementos dos Hell's Angels a invadir, em março de 2018 - munidos de machados, soqueiras e bastões - o restaurante. O número de motards daquele grupo que, desde 28 de setembro de 2021, estão a ser julgados em Loures é, porém, superior: 88. Respondem, entre outros crimes, por associação criminosa e tentativa de homicídio.

Esta segunda-feira, Machado garantiu, ao testemunhar enquanto vítima, que estava atrás do balcão do estabelecimento quando se apercebeu de "alguma agitação do lado de fora da porta". Já "de sobreaviso" de que algo do género poderia acontecer, entrou numa "arrecadação à procura de algo" para se "defender". Terá sido outra pessoa a fechar a porta do espaço, que teria, segundo Machado, "quatro a cinco metros por metro e meio" de área. No total, terão ficado ali escondidas, durante "cinco minutos" e com talheres à mão, oito pessoas.

"Só ouvi o som de coisas a partir", disse, frisando que o grupo só abandonou a arrecadação ao ouvir "o que parecia ser a Polícia dentro do estabelecimento". Viu "sangue no chão" e "vidros partidos" e ninguém a não ser os agentes da PSP.

Já sobre os alegados atacantes e as pessoas com quem estaria reunido - no que chamou de uma "festa privada" - não deu, na manhã desta segunda-feira, qualquer pormenor. O depoimento continua durante a tarde. A previsão é de que o julgamento, a decorrer em Loures sob fortes medidas de segurança, se prolongue por vários meses.