Viseu

Padre suspeito de assédio a menor defende-se nas redes sociais

Padre foi afastado de todas as funções

Foto Pablo Porciuncula / Afp

O padre da diocese de Viseu que está a ser investigado pelo Ministério Público por suspeitas de ter assediado um jovem, de 14 anos, usou as redes sociais para se defender das notícias que têm vindo a público, negando ser pedófilo.

O caso está ainda em investigação e em segredo de justiça. O sacerdote recorreu às redes sociais para dizer que não vai violar esse princípio e garante que não mente, não inventa, salientando, todavia, que o que é demais "é moléstia".

"Apetecia-me dizer em bom português: vão chamar pedófilo à p*** que os pariu, mas sou educado sempre fui e serei sereníssimo como a República de Veneza", escreveu na madrugada de domingo.

"O meu silêncio manter-se-á porque é o maior e melhor aliado da inocência e da justiça. Respeito e confio na justiça", argumentou, avisando ao mesmo tempo que irá apresentar, no devido tempo, queixas-crime "contra quem mente e calunia" de forma "inqualificável".

"Quem me quer destruir ou deseja vender jornais sensacionalistas, à custa da minha honra e do meu bom nome, encontrou aqui granito muito duro! Garanto!", afirmou.

Na mesma publicação apelou ainda a quem esteja do seu lado para lhe enviar mensagens privadas.

O caso de alegado assédio do padre ao jovem foi conhecido a semana passada. O menor em causa terá recebido mensagens de cariz sexual do pároco. Os dois conheceram-se num almoço convívio onde estava também o pai da vítima.

O jovem não gostou das investidas do padre e denunciou-o ao progenitor que, entretanto, apresentou uma queixa no Ministério Público (MP).

A PJ já concluiu a investigação, tendo passado a pente fino o computador e telemóvel do pastor. O JN sabe que os inspetores da judiciária apresentaram ao MP uma proposta de acusação.

A Comissão Diocesana de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis da Diocese de Viseu também já ouviu todos os envolvidos e enviou o caso para Roma.

Por decisão do Bispo de Viseu, D. António Luciano, o padre foi afastado de todas as funções no seio da Igreja. O sacerdote pediu, entretanto, um ano sabático, alegando motivos pessoais e de saúde.

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