Matosinhos

Preso inimputável fugiu da cadeia de Santa Cruz do Bispo

Roberto Bessa Moreira

Foto Arquivo Global Imagens

Condenado por incêndio florestal, recluso beneficiava do regime aberto no interior. Polícia continua a tentar localizar fugitivo.

Um recluso, que beneficiava de regime aberto na cadeia de Santa Cruz do Bispo, em Matosinhos, está em fuga desde a manhã desta quinta-feira. Considerado inimputável, o preso cumpria uma pena de nove anos pelo crime de incêndio florestal. Para o sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP), a fuga aconteceu porque os guardas prisionais estão a ser substituídos por câmaras de videovigilância.

O preso estava colocado na Casa de Santo André, espaço existente dentro do perímetro da cadeia de Santa Cruz do Bispo, mas com pouca segurança. É ali que estão encarcerados cerca de 20 condenados que beneficiam do regime aberto no interior. Ou seja, não partilham as celas com outros presos, trabalham no exterior e dispõem de uma autonomia maior. Também não são sujeitos a medidas de segurança tão rígidas como as aplicadas à restante comunidade prisional.

Pelas 8 horas desta quinta-feira, aquando da primeira contagem do dia, o recluso ainda foi sinalizado pelo guarda prisional. O que, porém, já não aconteceu a meio da manhã, quando foi efetuada a segunda contagem e dado o alerta. Nessa altura, foram mobilizados os meios para localizar o fugitivo, mas o preso continua em parte incerta.

A Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais confirma "que um internado, em regime aberto no interior e alocado à unidade de transição da Clínica de Psiquiatria e Saúde Prisional do Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo (masculino), se ausentou ilegitimamente, ao inicio da manhã de hoje (7 de julho), do espaço residencial". Fonte oficial acrescenta que "a ocorrência foi, em conformidade com as disposições legais, comunicada aos órgãos de polícia criminal e judicial competentes, estando a diligenciar-se no sentido da sua recaptura".

Atualmente com 34 anos, o fugitivo foi condenado, em 2019, a uma pena de nove anos de prisão, por ter incendiado uma zona florestal. E estava dado como inimputável.

Ao JN, o presidente do SNCGP, Carlos Sousa, explica que a Casa de Santo André era controlada por um guarda prisional colocado numa torre de vigilância. Torre que, no entanto, foi desativada e substituída por câmaras de videovigilância. "Por muitas câmaras de videovigilância que se instalem, nenhuma jamais irá substituir o trabalho de um guarda prisional", critica o dirigente sindical.

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