PSP

Mais de 30 detidos por corrupção em centros de inspeção automóvel

Reis Pinto e Inês Banha

PSP está a realizar buscas no âmbito de uma investigação por corrupção

Foto Joaquim Gomes/jn

Trinta e quatro pessoas foram, esta terça-feira, detidas pela PSP por suspeita de estarem ligadas a um esquema de corrupção na inspeção técnica de veículos. A investigação, iniciada em 2017, contou com a colaboração do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) e abrange pelo menos sete centros de inspeção (CITV).

Além do IMT e dos centros de inspeção, também um escritório de advogados está entre os 50 locais que, esta terça-feira, foram alvo de buscas domiciliárias e não domiciliárias nos concelhos de Braga, Vila Verde, Vila Nova de Famalicão, Guimarães, Vizela, Fafe, Amarante, Lousada, Gondomar, Porto, Matosinhos, Valongo, Loures, Lisboa, Sintra, Azambuja, Vila Franca de Xira, Seixal, Palmela, Setúbal, Silves, Lagoa e Portimão.

"Foram recolhidos indícios de que alguns suspeitos, administradores de facto ou de direito de diversas empresas gestoras de CITVs, implementaram em centros um esquema fraudulento que permitia a aprovação de veículos sem proceder à anotação de deficiências que os veículos apresentavam e/ou sem adotar procedimentos de inspeção legalmente obrigatórios, recebendo indevidamente vantagens patrimoniais e não patrimoniais, entregues pelos clientes dos CITVs", refere, em comunicado, a PSP.

Outras pessoas que "poderão ter facilitado a concretização de alguns negócios e/ou favoreceram essas empresas, nomeadamente junto de entidades públicas", estão igualmente sob investigação.

Em causa poderão estar crimes de corrupção passiva para ato ilícito, corrupção ativa para ato ilícito, e falsificação de documento agravada, "relacionada com a inspeção técnica dos veículos".

Três inquéritos distintos

Na nota, a PSP acrescenta que a operação Hydra é o culminar de uma investigação em três inquéritos distintos abertos em 2017, 2019 e 2020, inicialmente dirigida pela Esquadra de Investigação Criminal de Loures e posteriormente assumida pela Brigada Central de Investigação de Criminalidade Económica e Financeira do Departamento de Investigação Criminal da Direção Nacional da PSP.

O inquérito é tutelado pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) do Ministério Público, dedicado à criminalidade mais complexa e de âmbito nacional.

Os 34 detidos vão ser agora apresentados a tribunal para aplicação de eventuais medidas de coação.

A operação foi lançada por, no entender das autoridades, existir o "perigo de continuação da atividade criminosa e de perturbação da ordem e tranquilidade públicas", o que poderá indiciar que poderá ser pedido ao juiz de instrução que alguns dos arguidos fiquem a aguardar o desenrolar do processo em prisão preventiva ou domiciliária.

A investigação prossegue, sujeita a segredo de justiça.

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