Justiça

As empresas "mãe e filha" do negócio do Atlântida

As empresas "mãe e filha" do negócio do Atlântida

Mário Ferreira exige desculpas de Ana Gomes mas ex-deputada mantém tudo e o processo continua.

Mário Ferreira, o dono da empresa Douro Azul, tentou ontem explicar em tribunal que os seus negócios são limpos, de acordo com as legislações dos países onde tem (40) empresas e que não é nada daquilo que afirma Ana Gomes, que lhe chamou "escroque" e criminoso fiscal".

O empresário ligado aos barcos de cruzeiro e agora à comunicação social (TVI e CNN) falou toda a manhã naquilo que considera "um circo" e que mais não é que o julgamento de Ana Gomes, a ex-embaixadora e ex-deputada europeia, a quem ele processou por lhe chamar "criminoso fiscal" e "escroque", epítetos ligados à forma como gere os seus negócios, com especial enfoque na compra do navio "Atlântida" ao Estado português por pouco mais de oito milhões e que depois vendeu a si próprio por mais de 17 milhões.

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A sessão começou com ligeiro atraso porque o tribunal tentou que os protagonistas chegassem a acordo que pusesse termo à litigância. Mário Ferreira estaria de acordo, se "ela se desculpasse publicamente", mas a ex-embaixadora reafirmou que "não retirava uma palavra" do que dissera. De regresso à sala, Ferreira começou a responder a Francisco Teixeira da Mota, defensor de Ana Gomes.

Para esclarecer o facto de ter constituído, no mesmo dia, duas empresas em Malta, para o negócio do Atlântida, o empresário começou por dizer que as empresas criadas numa offshore, eram "mãe e filha". E que Malta não era "um paraíso fiscal", como apontara Teixeira da Mota, mas "um país da União Europeia, com offshores como muitos outros". E jurou que ali "o imposto [sobre lucros] é até mais alto do que em Portugal". O advogado de Ana Gomes reagiu: "então porque foi lá fazer o negócio e não o fez aqui?". Mário Ferreira não se deixou abalar: "se o Estado maltês perceber que a empresa-mãe pretende investir lá parte dos lucros, então devolve uma pequena parte dos impostos".

O advogado de Ana Gomes tentou que quantificasse essa "pequena parte", mas o empresário só disse que sempre agiu dentro da legalidade e às insistências da defesa, respondeu que percebia o seu "desespero". O advogado pareceu contentar-se com a resposta. O julgamento continua em maio.

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