Alcochete

André Geraldes desmente ter sido informado do ataque por Bruno Jacinto

André Geraldes desmente ter sido informado do ataque por Bruno Jacinto

André Geraldes disse em tribunal que "objetivamente" não teve conhecimento da ida de adeptos à Academia. O antigo "team manager" do Sporting testemunhou, esta sexta-feira, no Tribunal de Monsanto através de videoconferência no Tribunal de Faro.

O Ministério Público (MP) considera que André Geraldes foi avisado por Bruno Jacinto da ida dos adeptos à Academia através de WhatsApp no dia do ataque. "Não fui contactado por Bruno Jacinto sobre a ida de adeptos à Academia", referiu André Geraldes em tribunal. Questionado pela juiz sobre o que faria se tivesse recebido tal informação de Bruno Jacinto, André Geraldes evitou responder por três vezes, justificando que no dia do ataque estava num momento de grande consternação pelo envolvimento na operação "Operação Cashball", mas defendeu que em caso de ser informado, pediria a Bruno Jacinto para contactar Ricardo Gonçalves, diretor de segurança.

À juiz Sílvia Pires, o antigo "team manager" disse ter recebido um telefonema de Vasco Fernandes a perguntar se sabia da ida de adeptos, mas por ter em mãos "um problema gigantesco" pediu-lhe para falar com o diretor de segurança.

André Geraldes contou o que se passava em qualquer ida de adeptos à Academia. "Quando existiu no passado alguma visita de adeptos, toda a estrutura era autorizada, desde PSP, diretor de segurança, ao treinador, mas desta vez não foi pedida autorização a ninguém", explicou, acrescentando que "enquanto team manager tinha sempre conhecimento através dos lideres dos grupos ou do Oficial de Ligação aos Adeptos".

No dia 15 de maio, momentos depois da invasão, André Geraldes estava em Alvalade e, a pedido de Bruno de Carvalho, dirigiu-se à Academia com o ex-presidente. Em Alcochete disse ter visto Bruno Jacinto reunido com elementos da claque, mas à Procuradora do MP defendeu que não lhe dirigiu "qualquer palavra". "Não tive noção da dimensão do ataque, só comecei a perceber o que tinha acontecido quando falei com um ou dois jogadores que viraram as costas ao presidente".

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Nas reuniões com a equipa técnica no dia anterior, André Geraldes diz que "havia uma clara intenção de despedir Jorge Jesus" e que Bruno de Carvalho perguntou, na reunião com o staff, "aconteça o que acontecer se estávamos com ele".

Interpelado sobre a mudança da hora do treino, o antigo "team manager" disse ter recebido indicação inicial por Vasco Fernandes de que o treino seria de manhã, mas findas as reuniões soube "através de Jorge Jesus, que em conversa informal, disse que o treino seria à tarde".

Sobre os incidentes no aeroporto da Madeira, André Geraldes viu Jorge Jesus e Ricardo Gonçalves, diretor de segurança, a tentar acalmar Fernando Mendes, mas garante não ter ouvido marcação de qualquer visita à Academia. Já nas garagens de Alvalade nessa noite, referiu ter ficado fechado nas garagens devido à "invasão de adeptos".

André Geraldes foi ainda questionado sobre a reunião na casinha da Juve Leo, a 7 de abril, com elementos da claque. "A reunião decorre em momentos de grande tensão e o presidente usou tom bélico para com os jogadores". Na reunião com cerca de 60 pessoas, os participantes estavam "insatisfeitos e queriam tirar dúvidas". "Queriam tomar uma posição de insatisfação, queixavam-se que os atletas não jogam nada, que precisam de saber o que é o Sporting, que a claque tinha que mostrar a sua força e fazer-se ouvir nas bancadas, mas ninguém sugeriu qualquer ida à Academia".

No final, Bruno de Carvalho disse para fazerem o que quisessem, mas de acordo com André Geraldes, do ambiente dessa reunião "nunca passou pela cabeça que fosse acontecer o que aconteceu".

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