Ataque a Alcochete

"Antes soubesse da ida à Academia", diz Mustafá 

"Antes soubesse da ida à Academia", diz Mustafá 

Nuno Mendes "Mustafá", lider da Juve Leo, desmente ter tido qualquer conhecimento da ida à Academia de Alcochete por parte dos adeptos.

"Antes soubesse", disse o arguido à juiz Sílvia Pires, acrescentando que "foi um abuso de poder terem marcado a ida a Alcochete sem o meu conhecimento". "Cheguei a Lisboa do jogo, desliguei de tudo como fazia depois dos jogos e 24 horas depois tinha o mundo em cima de mim", garantiu em tribunal.

O Ministério Público (MP) descreve que na véspera do ataque, quando o líder da Juve Leo aguardava no aeroporto da Madeira pelo voo com destino a Lisboa, na companhia de Fernando Mendes e Bruno Jacinto, disse: "já falei com o presidente e ele disse-me: desta vez façam o que quiserem aos jogadores". O MP acredita ainda que Bruno de Carvalho tinha nessa altura informado Mustafá de que Jorge Jesus já não era treinador do clube. Aos juízes do Tribunal de Monsanto, Mustafá desmente a conversa.

"Não estive no aeroporto no fim do jogo da Madeira e no regresso, um dia depois, perguntei ao Fernando Mendes o que se tinha passado e ele disse-me que o Acuña o tinha insultado". "Visto que a mãe dele tinha falecido há pouco tempo, pensei que se tratasse de um problema pessoal e então relativizei tudo o que tinha acontecido na noite anterior".

O líder da claque diz mesmo que não esteve no estádio na Madeira, tendo assistido à primeira parte num café e ido para o hotel ao intervalo devido ao consumo excessivo de álcool. "Quando vi as imagens, relativizei tudo, passou-me ao lado".

O MP acredita que apesar de não participar nas conversas de WhatsApp onde se combinava a visita de adeptos à Academia de Alcochete, Nuno Mendes tinha conhecimento das mesmas. A juiz Sílvia Pires questionou o arguido pela mensagem num dos grupos de chefes das claques, onde Nuno Mendes participa numa conversa sobre a ida de adeptos às garagens de Alvalade no dia 13 de maio. Mustafá disse não se lembrar.

Sobre se tinha conhecimento da ida de adeptos à Academia de Alcochete, Mustafá nega, explicando à juiz que "nos dias seguintes aos jogos, e tendo em conta que se aproximava a final no Jamor, desliguei-me de tudo". "No dia 15 de maio estava a dormir quando isto tudo aconteceu", explicou, confessando não saber porque outros arguidos referiram nos grupos de WhatsApp que ele tinha conhecimento. "Ainda hoje estou para perceber como isto aconteceu".

O MP acredita que Mustafá foi um dos maiores responsáveis pela "instigação à prática de ameaças, agressões e outras práticas violentas" contra jogadores do Sporting, tendo este iniciado uma campanha de difamação contra os jogadores cerca de um mês antes do ataque, "proferindo frases insultuosas durante os jogos e por todo o clube".

Em causa estava o fraco desempenho da equipa e o "post" de Bruno de Carvalho após a derrota da equipa contra o Atlético de Madrid. Nuno Mendes desmente a tese da acusação. "Marquei a reunião [na casinha da Juve Leo] na sequência de desacatos em Madrid, estava a borrifar-me para os posts dos Bruno de Carvalho", diz Mustafá, que acrescenta que "foi avisado hora e meia antes de que o Bruno de Carvalho ia à reunião".

Na reunião, falou-se do rendimento dos jogadores e houve manifestações de desagrado contra Bruno de Carvalho. "O presidente estava a falar num tom que não era do agrado de alguns dos adeptos, dos quais Elton Camará, e se não fosse eu, tinha havido agressões". "Houve alguém que depois falou numa visita à Academia, mas não foi importante nesta reunião", defende Mustafá.

O líder da Juve Leo foi depois contactado por Bruno de Carvalho durante uma reunião com os capitães do Sporting. "O Bruno de Carvalho perguntou-me se tinha avisado o William de que tinha recebido a ordem para partir os carros dos jogadores e só pensei, isto está tudo maluco? Não pode valer tudo".

Mustafá admitiu ainda que não gostava de Bruno de Carvalho quando este foi eleito, mas que com o passar do tempo passou a admirá-lo. "O Bruno de Carvalho sabia o que queria para o Sporting e tinha pulso firme nas decisões", defendeu.

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