"Cartão Vermelho"

Após suspensão de funções de Vieira, direção do Benfica volta a reunir-se

Após suspensão de funções de Vieira, direção do Benfica volta a reunir-se

A direção do Benfica vai reunir-se para decidir os "próximos passos" depois do presidente do clube, Luís Filipe Vieira, ter anunciado a suspensão de funções, após ser suspeito na operação "Cartão Vermelho", disse., esta sexta-feira, à Lusa fonte do clube.

Segunda a mesma fonte, a reunião da direção vai decorrer "nas próximas horas" para "deliberar os próximos passos".

Luís Filipe Vieira comunicou, esta sexta-feira, a suspensão "com efeitos imediatos" do exercício de funções como presidente do Benfica.

"O Benfica está primeiro, perante os eventos dos últimos dias, no âmbito da operação Cartão Vermelho, em que sou diretamente visado, e enquanto o inquérito em curso puder constituir um fator de perturbação, suspendo, com efeitos imediatos, o exercício das minhas funções como presidente do Sport Lisboa e Benfica, bem como de todas as participadas do clube", comunicou o advogado de Luís Filipe Vieira, à porta do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC).

O dirigente apelou ainda "a todos os benfiquistas para que se mantenham serenos na defesa do bom nome da grande instituição que é o Benfica".

O advogado Magalhães e Silva, que representa Luís Filipe Vieira, sublinhou que uma suspensão do exercício de funções não significa uma renúncia ao cargo, com a decisão a ser comunicada "em simultâneo à comunicação social e às estruturas interessadas".

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A suspensão de funções do exercício da presidência do Benfica não está contemplada nos estatutos do Benfica. Os estatutos são omissos em relação ao pedido de suspensão do presidente, assumindo apenas no ponto 3 do seu artigo 61.º que, em caso de impedimento ou ausência, compete ao titular do cargo designar o vice-presidente.

"O presidente deve (...) designar o vice-presidente que o substitua nas suas ausências e impedimentos", refere a alínea a) do terceiro ponto do artigo 61 dos estatutos, o qual define a "constituição" da direção do clube.

No ponto, é especificado que a direção é formada por um presidente, quatro ou seis vice-presidentes efetivos e dois vice-presidentes suplente.

Nos atuais órgãos sociais do clube 'encarnado', eleitos em outubro de 2020, Luís Filipe Vieira tem como vice-presidentes o ex-futebolista Rui Costa, José Eduardo Moniz, Varandas Fernandes, Domingos Almeida Lima, Fernando Tavares e Sílvio Cervan, enquanto Jaime Antunes e Rui Vieira do Passo foram eleitos como suplentes.

Os estatutos referem no seu artigo 43 que a direção 'cai' com a cessação do mandato da maioria dos seus membros eleitos, efetivos e suplentes, o que não se verifica, num cenário que se aplica igualmente aos restantes órgãos sociais, Conselho Fiscal e Assembleia Geral.

Na quarta-feira, a direção do Benfica disse estar "firmemente determinada" a defender os interesses do clube.

Luís Filipe Vieira, de 72 anos, foi um dos quatro detidos numa investigação que envolve negócios e financiamentos superiores a 100 milhões de euros, com prejuízos para o Estado e algumas sociedades. Segundo o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), estão em causa factos suscetíveis de configurar "crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento de capitais".

Para esta investigação foram cumpridos 44 mandados de busca a sociedades, residências, escritórios de advogados e uma instituição bancária em Lisboa, Torres Vedras e Braga. Um dos locais onde decorreram buscas foi a SAD do Benfica que, em comunicado, adiantou que não foi constituída arguida.

No mesmo processo foram também detidos Tiago Vieira, filho do presidente do Benfica, o agente de futebol Bruno Macedo e o empresário José António dos Santos, conhecido como "o rei dos frangos".

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