Acusação

Arguidos do assalto a Tancos queriam ter proteção política

Arguidos do assalto a Tancos queriam ter proteção política

O diretor da Polícia Judiciária Militar, Luís Vieira, tentou, desde a primeira hora, obter influência e proteção política para conseguir a liderança do inquérito sobre o furto do armamento no paiol de Tancos.

E, depois de ter iniciado a investigação ilegal, que viria a resultar na encenação da recuperação do material, Luís Vieira continuou a procurar um escudo junto das mais altas figuras do Estado para evitar que a farsa fosse descoberta. Até chegou a comprometer Azeredo Lopes com a entrega de um memorando secreto como que para obrigá-lo a ajudar os arguidos da Polícia Judiciária Militar (PJM) e GNR, que encobriram os assaltantes de Tancos para recuperar o armamento a todo o custo.

De acordo com a acusação do Ministério Público (MP), Luís Vieira ficou em fúria com a entrega da investigação à Polícia Judiciária (PJ) civil. Acreditava que o furto de Tancos era um crime da competência exclusiva da PJM, que, ao longo dos últimos anos, tinha sofrido pelo menos dois assaltos a quartéis do Exército, sem conseguir recuperar uma única arma, nem identificar os autores.

No dia em que é descoberto o furto, Vieira, que era próximo de Azeredo Lopes, foi a casa deste, em Lisboa, onde, tudo indica, já pretenderia obter o seu apoio. Não o encontrou porque o ministro estava numa reunião no estrangeiro. Três dias depois, numa altura em que a PJM já andava à procura de informações sobre um suspeito, uma reunião entre PJM, PJ e procuradores do MP ditou que a investigação ficaria nas mãos dos civis.

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