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Arguidos em silêncio no julgamento da morte do rapper Mota JR

Arguidos em silêncio no julgamento da morte do rapper Mota JR

João Luízo, Edi Barreiros, Fábio Martins e Catarina Sanches começam esta segunda feira a ser julgados pelo homicídio do rapper Mota JR, em março de 2020, no Cacém. Em julgamento, arguidos escolheram não prestar declarações, mas têm oportunidade de o fazer no final.

Os três arguidos respondem por homicídio qualificado, roubo agravado, sequestro, furto qualificado e profanação de cadáver. João Luízo é tido como o mentor do crime e Catarina, que serviu de isco para a cilada mortal, responde por roubo, em coautoria. Luízo pediu que fossem ouvidas as declarações prestadas quando foi detido, nas quais diz que estava com a tia na noite do crime.

O arguido defende desde a detenção que nunca esteve no local do crime e que fugiu para Inglaterra por estar a ser ameaçado de morte pelo alegado envolvimento na morte do rapper. Confrontado com a venda do ouro de Mota JR, diz que apenas estava a acompanhar o amigo e que não sabia a origem do ouro.

A tese do arguido foi a mesma apresentada em sede de instrução criminal, antes do julgamento, onde acabou pronunciado pela morte do artista. O Juiz de Instrução Criminal considerou que o arguido foi incapaz de afastar elementos objetivos recolhidos pela investigação, como as comunicações realizadas, as localizações detetadas, ou imagens de vídeo vigilância.

Acerca da relação com a jovem que atraiu Mota JR para a cilada mortal, disse serem amigos, e ajuda-a frequentemente porque é uma pessoa bastante doente, nervosa, depressiva.

O crime ocorreu na noite de 15 de março de 2020. Segundo a acusação, Mota JR foi surpreendido pelos agressores à porta de casa numa cilada montada para o roubar e foi agredido até à morte. Tentou defender-se e mordeu Edi Barreiros na mão, mas não resistiu às violentas agressões.

Na autópsia ao corpo de Mota JR, que foi encontrado dois meses após o crime na Serra da Arrábida, são contabilizadas dez lesões graves na face e três no peito, as que provam que o rapper foi morto a soco e pontapé a 14 de março de 2020. A sua cabeça foi atirada contra a parede, foi estrangulado e repetidamente agredido. Mota JR ainda mordeu Edi Barreiros na mão, mas não conseguiu fugir.

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Os três arguidos, assim que ficaram sozinhos com Mota JR, quiseram matá-lo. O plano inicial seria o de roubar o rapper.

Após as violentas agressões, o rapper foi colocado na bagageira da viatura utilizada pelos homicidas. Estes ainda tentaram entrar em casa de Mota para roubar o ouro do artista, mas a presença da sua mãe impediu-os.

Os arguidos deslocaram-se a casa onde João Luízo vivia, onde Edi Barreiros desinfetou a mão que tinha um ferimento de mordida pelo rapper. Os três trataram então de desfazer-se do corpo num mato na Serra da Arrábida, local que João Luízo conhece e regressaram a casa do rapper. Aproveitaram que a mãe da vítima estava fora, a realizar queixa na Polícia Judiciária pelo desaparecimento do filho e levaram o ouro que este tinha no quarto.

O assalto rendeu cerca de 1600 euros, resultante da venda de dois anéis e um fio de ouro que Mota JR tinha consigo e em sua casa. Os suspeitos ainda tentaram vender as joias da vítima nas ruas da Amadora, mas pediam 2500 euros, um valor que ninguém aceitava.

Pressionados pela eventual detenção, já que as autoridades tinham sido alertadas, aceitaram o valor que uma ourivesaria no Barreiro ofereceu e colocaram-se em fuga. João Luizo e Edi Barreiros saíram do país antes da declaração de Estado de Emergência e antes de estarem identificados como suspeitos. Fábio Martins permaneceu em território nacional, foragido das autoridades e na companhia de um amigo.

O corpo do artista foi encontrado dois meses depois do crime em elevado estado de decomposição devido à presença de javalis na zona. Edi Barreiros regressou em junho ao país e foi detido no aeroporto do Porto. Em Inglaterra, João Luizo foi capturado pelas autoridades no âmbito da cooperação internacional entre a PJ e a polícia britânica e trazido para Portugal. Em julho, a PJ deteve a jovem de 22 anos e em novembro o quarto suspeito, Fábio Martins. Os três homens estão em prisão preventiva e a rapariga está em prisão domiciliária

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