Julgamento

Arguidos no caso de burla de carros de luxo ficaram em silêncio

Arguidos no caso de burla de carros de luxo ficaram em silêncio

Os principais arguidos num processo de burla com a venda de viaturas usadas que tinham a quilometragem adulterada remeteram-se ao silêncio no início do julgamento, que decorreu esta quinta-feira no Tribunal de Espinho.

O processo conta com dez arguidos, sete pessoas e três sociedades, que estão acusados de centenas de crimes de burla qualificada, falsidade informática e falsificação de documentos, em coautoria.

Os principais arguidos são os donos de um stand de automóveis de Arrifana, na Feira, pai e filho, sendo que este último está em prisão preventiva.

Entre os arguidos estão ainda uma mulher natural do Zimbabué, que alegadamente procedia à viciação dos conta-quilómetros, e dois casais responsáveis por duas empresas que faziam o transporte dos veículos importados.

Na sessão desta quinta-feira, apenas os arguidos ligados às transportadoras aceitaram prestar declarações, confessando os factos que lhes são imputados.

Questionados pelo coletivo de juízes, os arguidos admitiram que alteravam as faturas e outros documentos relacionados com o transporte das viaturas, colocando nos mesmos nomes e moradas que lhes eram fornecidas por um dos donos do stand.

Segundo a acusação do Ministério Público (MP) o esquema fraudulento vigorou entre 2013 e 2016.

Os donos do stand da Feira adquiriam viaturas de gama alta usadas, maioritariamente na Alemanha, e depois terão aumentado os quilómetros antes da legalização, para pagarem menos imposto às Finanças.

Após a legalização, e antes de os carros serem colocados à venda, os arguidos procediam a uma nova adulteração da quilometragem, desta vez, para um número "muito inferior" ao real, induzindo em erro os compradores.

O MP refere ainda que os arguidos fabricaram livros de revisões e de garantia dos referidos veículos.

De acordo com a investigação, os arguidos chegaram a vender cerca de quatro carros por mês, obtendo um lucro médio de cinco mil euros por cada viatura.

O MP pede que sejam declarados perdidos a favor do Estado 468 mil euros que se presume ser a vantagem obtida pelos arguidos.

O julgamento prossegue na próxima segunda-feira.