Julgamento

Arguidos pedem perdão à família de pescador morto à facada em Viana

Arguidos pedem perdão à família de pescador morto à facada em Viana

Os arguidos do caso do pescador de Viana do Castelo morto à facada no ano passado, por causa de uma rivalidade passional, pediram esta quinta-feira em tribunal perdão aos familiares da vítima.

Fábio Araújo de 28 anos e Carlos Ferraz de 33, mostraram-se arrependidos dos factos de que são acusados, choraram e lamentaram o sofrimento causado aos familiares do pescador Vítor Coimbra. À saída do tribunal de Viana do Castelo, o pai da vítima mostrou-se revoltado e, com lágrimas nos olhos, disse: "Nunca os vou perdoar na vida".

Na sessão desta quinta-feira, a terceira do julgamento do caso ocorrido em 10 de dezembro de 2018, foram ouvidos especialistas de medicina forense e cirurgia, e proferidas as alegações. O Ministério Público (MP) deu como provada a acusação de homicídio qualificado, referindo que a facada que Fábio desferiu nas costas de Vítor "à falsa fé", foi intencional e causa de morte. E pediu a condenação dos dois arguidos pelo crime que são acusados, o que configura uma moldura penal entre 16 e 25 anos.

O mesmo pediu o advogado que representa a família Coimbra, apelando ao coletivo de juízos que "não seja brando" e aplique "uma pena exemplar". Já a defesa de Fábio Araújo, considerou que o arguido deva ser condenado pelo "erro" que cometeu, mas com enquadramento no crime de agressão física qualificada agravada pelo resultado, o que implica uma pena de até 16 anos. Apelou ainda à absolvição de Carlos.

"Sei que não foi a forma correta de agir. Desde que estou na cadeia tenho refletido e chorado muito. Sei que destruí indiretamente duas famílias e que causei muito sofrimento. Quero pedir aos familiares perdão profundo, mas sei que vai ser complicado essas pessoas perdoarem-me", declarou Fábio Araújo. Choroso, Carlos Ferraz, por sua vez, disse: Não há nada nem ninguém mais arrependido do que eu. Peço desculpa. Estou em tratamento e prometo corrigir-me. Todos os dias me arrependo".

Em causa está o julgamento do homicídio de Vítor Coimbra em dezembro de 2018, em que são arguidos Fábio Araújo, natural de Santo Tirso e residente em Fradelos, Famalicão, e Carlos Ferraz, natural de Coimbra com residência em Campos, Vila Nova de Cerveira.

Segundo a acusação do MP, ambos dirigiram-se na companhia das namoradas a casa de Ilídio Rodrigues, ex-companheiro da então namorada de Fábio, "com a finalidade de lhe dar um corretivo". Estava em causa a alegada perseguição de Ilídio à rapariga e depois também aos arguidos com mensagens no telemóvel e redes sociais, com ameaças, por não se conformar com o fim do relacionamento.

Fábio levou uma faca de cozinha com 34 centímetros e após tocar à campainha, juntamente com Carlos e de ambos se envolverem em confrontos com Ilídio e o pescador, que naquela altura se encontrava em caso do amigo, atingiu Vítor nas costas. Este morreu uma hora depois no hospital de Viana.

A leitura da sentença está marcada para dia 21 de novembro.

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