Braga

Arquidiocese diz não ver "necessidade" de extinguir Fraternidade acusada de escravidão

Arquidiocese diz não ver "necessidade" de extinguir Fraternidade acusada de escravidão

A Arquidiocese de Braga diz não ter visto necessidade de extinguir a Fraternidade Missionária Cristo Jovem situada em Requião, Famalicão, "na expectativa" que seguisse um novo rumo.

A Fraternidade é uma associação de fiéis e está acusada de nove crimes de escravidão, assim como um padre e três religiosas. Os arguidos estão indiciados de angariarem jovens que acabaram por escravizar, mantendo as em regime de submissão.

Esta quarta-feira, a Arquidiocese de Braga publicou um comunicado na sua página da internet onde diz que desde de que foi informada, em finais de 2014, por ex-membros da Fraternidade de presumíveis anomalias começou uma investigação interna.

Como resultado dessa investigação, continua a comunicado, foi "exigido" que uma das religiosas saísse da comunidade, o que acabou por acontecer. Por outro lado, acrescenta, foi exigido eu o padre "abandonasse a comunidade" e fosse para a Casa Sacerdotal da Arquidiocese de Braga. "A decisão foi acatada. Mais tarde, à revelia da Arquidiocese, tomou a decisão de abandonar a Casa Sacerdotal e deslocou-se novamente para a Fraternidade", lê se no comunicado. O JN noticiou em setembro do ano passado, que o sacerdote estava de regresso a Requião.

Com estas decisões, e "sobretudo" com a saída da religiosa, a Arquidiocese diz ter falado com duas novas residentes na instituição de Requião, e foi informada que o ambiente era de "respeito e bem-estar e que a vida tinha retomado uma normalidade saudável".

Por isso, acrescenta o comunicado, a Arquidiocese não se viu na necessidade de extinguir a Fraternidade. Diz estar a acompanhar a comunidade e a colaborar com o Ministério Público.

Os arguidos estão acusados, de dezembro de 1985 até 2015, angariaram jovens do sexo feminino, "de raízes humildes, com poucas qualificações ou emocionalmente fragilizadas, que acolheram na instituição a pretexto de formarem uma comunidade espiritual de raiz católica e de satisfazerem os anseios daquelas de seguirem uma vida religiosa".

Contudo, segundo o MP, terão usado as jovens para fazer "todas as tarefas diárias exigidas para a conservação e manutenção das instalações da instituição e continuação da sua atividade", sem lhes dar qualquer contrapartida. Impuseram às alegadas vitimas jornadas de trabalho que chegaram a atingir vinte horas, dando lhes castigos físicos se não cumpriam as tarefas ou as cumpriam mal, revela a acusação.

O MP acusa o sacerdote e as religiosas de imporem às jovens castigos como a privação da alimentação, de banho e dormir no chão, controlando os contactos com o exterior, com a família privando-as de informação e até da documentação pessoal.

O caso foi despoletado em novembro de 2015, quando a PJ fez buscas às instalações da Fraternidade que se auto intitulava de convento. Nessa altura, foi esclarecido que não se tratava de um convento mas de uma associação de fiéis que estava sob a alçada da Arquidiocese de Braga.