
O Tribunal de Arganil começa a julgar esta terça-feira um jovem de 20 anos, natural daquele concelho do distrito de Coimbra, acusado de matar a namorada a 25 de julho de 2014.
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O Ministério Público (MP) acusa o jovem de homicídio qualificado e profanação de cadáver, alegando que este, a 25 de julho de 2014, empurrou a namorada, com 20 anos, por um penhasco abaixo, de uma altura de 15,5 metros, junto ao rio Alva, no concelho de Tábua.
O corpo da jovem, Andreia dos Santos, natural de Arganil, foi apenas encontrado quatro meses depois de ter sido dada como desaparecida e o namorado foi preso quase um ano depois de o alegado crime ter acontecido.
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Segundo o despacho de acusação a que a agência Lusa teve acesso, o crime terá acontecido pelas 18:00 de 25 de julho, depois de o arguido ter convencido a vítima a subir a um dos penedos existentes perto da aldeia de Fontão, Tábua, após tomarem banho no rio Alva.
Quando chegaram ao penedo, com cerca de 15,5 metros, o jovem terá desferido "um forte empurrão com as mãos", tendo a vítima caído do penedo, sofrendo várias "lesões traumáticas, nomeadamente no tórax, coluna lombar, vértebras e cabeça", causando a sua morte.
Posteriormente, refere o MP, o arguido certificou-se que Andreia estava morta, carregou o corpo para uma zona de mato e escondeu a mochila da vítima e os cartões do telemóvel em diferentes sítios perto do local do crime.
O cadáver esteve desaparecido até 17 de novembro, quando funcionários da junta de freguesia encontraram "os restos cadavéricos esqueletizados".
De acordo com o MP, o arguido, com défice cognitivo e distúrbios psicológicos, terá engendrado o plano para matar a namorada para se "relacionar livremente com outras raparigas", sendo que, ao longo de cinco anos de relação, namorou com outras jovens, tendo alegadamente dito a uma das raparigas que "ia acabar com ela e que estava farto".
"Ambas as famílias não aprovavam o relacionamento" e os irmãos da rapariga "verbalizavam o desagrado pela relação", relata o Ministério Público.
Já a defesa do jovem refere, em fase de instrução, que este apenas confessou o crime por ter medo do seu pai, a quem atribui a autoria do homicídio.
A defesa alega que a vítima e o pai trocavam mensagens telefónicas e que no dia 25 de julho o pai do arguido terá surgido no local, embriagado, e terá falado com a rapariga.
No cimo dos penedos, o pai do arguido terá questionado a rapariga sobre os sentimentos que nutria pelo seu filho e posteriormente terá empurrado a vítima, alega a defesa.
Alegadamente, o pai mandou-o ir embora e esconder os pertences da vítima, sendo que o jovem "obedeceu" e "nunca falou dos factos", sempre com "medo do pai", que "quando está alcoolizado, grita muito" e por ter em sua posse "uma arma de tamanho médio", refere.
A defesa sublinha ainda que "o arguido não tem capacidades cognitivas para engendrar um plano para matar a vítima", desconhecendo a base factual em que o MP se baseou para concluir que houve um plano, criticando também que "alguns factos constantes dos relatórios policiais" não tenham sido "convenientemente investigados".
O julgamento do jovem por um coletivo de juízes de Coimbra começa às 09:15 de terça-feira, no Tribunal de Arganil.
