Justiça

As várias faces ocultas de um transmontano determinado

As várias faces ocultas de um transmontano determinado

Amigos e críticos de Armando Vara concordam num ponto: a determinação nunca foi predicado que faltasse a Armando Vara.

Membro da Juventude Socialista desde o início, em 1974, soube construir, com labor e calculismo, um percurso que se iniciou na Bragança natal. A política já era então o seu desígnio maior, mas não ainda o modo de vida. A primeira ocupação fixa que teve, depois de ter frequentado um curso de Filosofia em Coimbra que jamais concluiu, foi a de funcionário de nível 7 da Caixa Geral de Depósitos (CGD). No mesmo ano em que entrou para a Caixa, em 1983, entrou no Parlamento como deputado. Em regime de substituição ainda, mas por lá permaneceu 18 anos.

Mesmo em Lisboa, manteve um pé nas raízes transmontanas. Em meados da década de 80, qual protagonista d""A queda dum anjo", escrevia crónicas encarniçadas no jornal regional de que era proprietário contra "a ausência de ideologia" e "a duvidosa moralidade que começa a fazer escola".

Por essa altura, já Mário Soares vaticinava longo futuro ao "grande líder local" Vara, recém-trintão. Os horizontes do já político profissional já haviam transposto as fronteiras transmontanas. A amizade que travou com José Sócrates moldar-lhe-ia os passos. Tornam-se inseparáveis. Na política, onde aprofundam a influência nas estruturas partidárias, mas também fora dela, tornando-se sócios na empresa de distribuição de Sovenco.

Em 1995, com a queda do cavaquismo e a subida ao poder de António Guterres, tem a primeira experiência no Governo. Torna-se secretário de Estado da Administração Interna. Na mesma equipa, mas no Ambiente, está o seu amigo Sócrates. Ministro-adjunto do primeiro-ministro em 1999, assume no ano seguinte a pasta da Juventude e Desporto. Os reveses começam ainda nesse ano, ao ser obrigado a demitir-se, por intervenção de Fernando Gomes, em virtude de alegadas irregularidades cometidas pela Fundação para a Prevenção e Segurança Rodoviária.

Cumprida a breve travessia no deserto, volta ao radar público com um cargo na CGD, não como o administrativo de há 30 anos em Mogadouro, mas como administrador. O posto obriga-o a uma licenciatura que, embora não possuísse na altura da escolha, logo tratou de adquirir: conclui o curso de Relações Internacionais na Universidade Independente três dias antes de assumir funções.

Do banco estatal transita, em 2007, para o Millenium BCP. Até que em 2009 um novo escândalo rebenta, o processo Face Oculta. Os processos avolumam-se: condenado pela CMVM por "negligência" enquanto administrador da CGD e BCP, veria o tribunal, no ano passado, confirmar a condenação a cinco anos de prisão efetiva. A decisão acarreta a perda da Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, recebida em 2005 já durante o consulado do cúmplice de longa data, José Sócrates.

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