"Teia"

Autarca de Barcelos é o primeiro a prestar declarações no TIC

Autarca de Barcelos é o primeiro a prestar declarações no TIC

O presidente da Câmara de Barcelos, Miguel Costa Gomes, será o primeiro dos quatro detidos da operação "Teia" a prestar declarações, esta sexta-feira, no Tribunal de Instrução Criminal do Porto.

Os quatro detidos na operação "Teia" chegaram às 10.06 horas ao Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto, onde vão ser submetidos a primeiro interrogatório judicial para fixação das medidas de coação.

Tal como na quinta-feira, altura em que estiveram no TIC para identificação, os arguidos chegaram às instalações judiciais em três carros da Polícia Judiciária (PJ), a partir do estabelecimento prisional anexo à PJ/Porto.

"Temos a indicação de que todos os detidos vão prestar declarações. O primeiro vai ser o presidente Miguel Costa Gomes, o segundo será a doutora Manuela Couto [empresária e mulher de Joaquim Couto], o terceiro será José Maria Laranjo [presidente do IPO/Porto] e, por fim, será Joaquim Couto [presidente da Câmara de Santo Tirso]", disse o advogado, Nuno Cerejeira Namora, defensor do autarca de Barcelos, na quinta-feira, no exterior do Tribunal de Instrução Criminal (TIC), depois de terminada a consulta dos quatro volumes e outros tantos anexos do processo.

Reafirmando tratar-se de um processo que "é uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma", Nuno Cerejeira Namora - que foi o único advogado dos arguidos a dar declarações aos jornalistas - frisou que, vistos "os volumes e anexos", não encontrou o "mínimo indício da existência de corrupção passiva por parte do presidente da câmara [de Barcelos]".

"Ele vem acusado de atos que não foi ele que praticou, foram vereadores e vice-presidentes anteriores ao período em que ele tinha o pelouro desta área", disse o advogado, afirmando-se "tranquilo e sereno" em relação ao interrogatório e dizendo só admitir que "ele saia com a medida mínima de coação, o termo de identidade e residência".

Insistindo que a detenção foi "desproporcionada", Nuno Cerejeira Namora perguntou: "Onde é que há perigo de continuação da atividade criminosa? Onde é que há possibilidade de destruição de prova se a prova está toda nos dossiês do Ministério Público? Onde é que há perigo de fuga?".

"Não é necessário deter ninguém por um crime desta natureza", considerou o advogado.

A empresária Manuela Couto, administradora da W Global Communication, detida pela Polícia Judiciária no âmbito desta operação, já tinha sido constituída arguida em outubro, no âmbito da operação "Éter", relacionada com o Turismo do Norte.

A operação "Teia" centra-se nas autarquias de Santo Tirso e Barcelos, bem como no Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto e investiga suspeitas de corrupção, tráfico de influência e participação económica em negócio, traduzidas na "viciação fraudulenta de procedimentos concursais e de ajuste direto", segundo um comunicado da Diretoria do Norte da Polícia Judiciária, o órgão de polícia criminal que apoia o Ministério Público nesta investigação.

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