Julgamento

Azeredo explica SMS a dizer que sabia que armas de Tancos iam ser encontradas

Azeredo explica SMS a dizer que sabia que armas de Tancos iam ser encontradas

Azeredo Lopes, ministro da Defesa à data do assalto e recuperação encenada de armamento dos paióis de Tancos assegurou esta terça-feira, em tribunal, que nunca lhe foi "dado conhecimento", entre junho e outubro de 2017, de que a Polícia Judiciária Militar (PJM) estaria a conduzir uma "investigação paralela" ao furto.

O Ministério Público (MP) sustenta que elementos da PJM e da GNR terão montado uma operação para, após prometerem imunidade ao cabecilha confesso do assalto, recuperarem, à revelia da PJ civil e daquele organismo, o material furtado dos paióis de Tancos na madrugada de 27 para 28 de junho de 2017.

A encenação, ocorrida na Chamusca a 18 de outubro do mesmo ano, terá tido, segundo a acusação, a cobertura institucional de Azeredo Lopes. Esta nega, desde o início, a acusação.

O ex-ministro e LuísVieira, então diretor-geral da PJM, estão entre os 23 arguidos que, desde 2 de novembro, estão a ser julgados em Santarém, por diversos crimes, incluindo denegação de justiça. Nove estarão ligados aos assalto e 14 à recuperação encenada.

Entre as provas invocadas pelo MP na acusação ao antigo governante, está uma SMS enviada por este a um deputado, durante um debate no Parlamento no dia da descoberta do armamento, em que referia que "sabia" que o material iria ser recuperado, mas tinha tido de "aguentar calado".

Esta terça-feira, Azeredo Lopes explicou o desabafo com o facto de "duas a três semanas antes" ter sido informado pelo seu chefe de gabinete, Martins Pereira, de que, poderiam existir avanços na investigação, cujos pormenores desconhecia.

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"Como é claro, não sabia quando ia ser", acrescentou. O antigo governante lembrou, ainda, que, desde o assalto, eram insistentemente questionado sobre as diligências que estariam a ocorrer para recuperar o armamento.

Desvaloriza perigosidade do material

No seu depoimento, Azeredo Lopes reconheceu ainda que, com o passar dos meses, foi ficando menos preocupado com a "perigosidade" do material furtado, em junho de 2017, de Tancos.

Em causa, o facto de, segundo o arguido, entidades como o Serviço de Informações e Segurança (SIS) ter, na altura, "dito claramente que não conseguia detetar a ligação" entre o armamento subtraído e o "terrorismo internacional".

Além disso, frisou, o material que, pelas suas características, estava "obsoleto" e, se fosse utilizado, iria ferir "com grande probabilidade" apenas o seu utilizador.

O interrogatório do ex-ministro - que, esta terça-feira, se prolongou por mais de duas horas e meia - continua na quinta-feira.

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