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Bancário desviou 673 mil de clientes para fazer apostas online

Bancário desviou 673 mil de clientes para fazer apostas online

Um antigo bancários de 32 anos confessou esta manhã de quarta-feira ter retirado centenas de milhares de euros das contas de seis clientes para fazer apostas na internet. "Perdi a cabeça", admitiu no Tribunal de São João Novo, no Porto.

"Por brincadeira", em 2012, o jovem bancário fez uma aposta de 50 euros. Num mês e pouco ganhou 15 mil euros. A experiência "fascinou-o" e decidiu propor uma "espécie de sociedade" ao tio. Ele emprestava algum dinheiro e o sobrinho apostava.

"As coisas correram bem até ao momento em que deixaram de correr bem", contou o arguido, que trabalhava na agência do Banco Popular, da rua de Sá da Bandeira, no Porto. "Perdi todo o dinheiro e limpei a conta do meu tio"- cerca de 200 mil euros -; "não sabia como lhe dizer". Em 2016, o tio pediu o dinheiro pois ia comprar uma casa em Arcos de Valdevez. E foi aí que tudo se precipitou.

"Perdi a cabeça e comecei a ir ao dinheiro de outras pessoas. Achei que apostando ia recuperar o dinheiro perdido", explicou perante o juiz. "Desesperado", escolheu seis contas bancárias com saldos elevados e sem homebanking ativado. Emitiu ele as chaves de acesso e, com elas, passou a usar aquelas contas para financiar as apostas.

673 mil euros em seis meses

Em apenas seis meses, terá desviado 673 mil euros dos seis clientes. "Estava completamente perdido. A minha intenção era devolver o dinheiro a essas pessoas", garantiu. Acabaria apanhado em janeiro de 2017 após a realização de uma auditoria.

O arguido lembrou que há cerca de 211 mil euros que não gastou e que ia devolver mas que ficaram cativos na plataforma de apostas. Pediu, por isso, que a verba revertesse para o banco que, entretanto, já compensou os clientes pelas verbas perdidas.

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O antigo bancário admitiu todos os factos e frisou que assinou uma confissão de dívida e está a cumprir os pagamentos acordados com o banco. Aliás, já terá devolvido cerca de 56 mil euros e, a curto prazo, pretende entregar outros 50 mil euros das mais-valias da venda da sua casa. Mais: como passou a residir em casa dos pais e deixou de pagar renda pretende aumentar o pagamento mensal de 500 para 900 euros.

"É um desespero. Quanto mais rápido conseguir-me livrar disto, melhor", afirmou, admitindo que o seu problema aditivo de jogo está "resolvido" e que está a ser acompanhado por uma psicóloga.

Acusado de 32 crimes

O homem está acusado de 32 crimes: 21 de acesso ilegítimo, três de falsificação de documentos, um de falsidade informática, seis de burla qualificada e um de branqueamento. A sentença está marcada para o próximo dia 16 de dezembro.

O advogado de defesa salientou que o arguido confessou e revelou "manifesto arrependimento". Uma vez que tem cumprido e quer pagar a dívida, pediu que, caso lhe venha a ser aplicada alguma pena de prisão, a mesma seja suspensa.

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