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Bas Dost foi agredido até perder sentidos em Alcochete

Bas Dost foi agredido até perder sentidos em Alcochete

O antigo avançado do Sporting Bas Dost foi agredido com um cinto à entrada dos balneários no dia do ataque à Academia do Sporting. Caiu no chão e foi pontapeado até perder a consciência.

Testemunhando esta quarta-feira à tarde, por vídeoconferência, no Tribunal de Monsanto, Bas Dost disse aos juízes que não teve mede quando viu os encapuzados a entrar e que até quis falar com eles. Só percebeu que estava em perigo quando os arguidos forçaram a entrada no balenário onde estavam os jogadores.

"O Vasco Fernandes [então colega] estava a mandar todos [os jogadores] para dentro do balneário, mas eu não o fiz e mantive-me no corredor porque queria perceber o que se estava a passar e falar com eles", disse o holandês. Nesse momento, a porta do edifício abriu e entrou um encapuzado, que lhe fez sinal com polegar para cima, deixando Bas Dost tranquilo. Mas a entrada de seis adeptos encapuzados que começaram a bater na porta dos balneários mudou o caso de figura. Foi quando percebeu que não devia ter ficado sozinho.

"Um deles virou-se para mim, agrediu-me com um objeto na cabeça e eu caí para o chão. Fui pontapeado por esse adepto, que pediu a outro para me agredir e, em cinco segundos, fiquei inconsciente", descreveu Bas Dost, que recuperou os sentidos quando um funcionário da equipa médica o ajudou a levantar-se, separando-o dos agressores. "Levou-me para uma sala e eu disse-lhe para não me deixar sozinho porque tinha muito medo e estava a jorrar sangue da cabeça".

Questionado sobre o que o levou a não entrar no balneário antes da entrada dos agressores, Bas Dost explicou que assumiu papel de líder da equipa. "Pensei que estavam zangados por termos perdido o jogo na Madeira e falhado o objetivo da época, a qualificação para a Liga dos Campeões. E, como holandês que sou e colocando sempre o diálogo em primeiro lugar, quis falar com eles".

O avançado holandês classificou o dia do ataque como "terrível" e disse que o medo que sentiu "durante meses" o levou a contratar segurança pessoal para a sua residência, tendo abdicado desta apenas por pedido da mulher. "O dia foi terrível e, passados meses, ainda tinha medo de estar sozinho, de ir ao supermercado (...) Não tenho tanto medo como no primeiro mês, mas ainda não me sinto confortável em falar sobre esse dia."

Nos dias seguintes ao ataque, Bas Dost foi aconselhado por um terapeuta a sair do país para se acalmar. Rumou à Áustria, onde foi seguido por outro psicólogo.

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