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Buscas no MAI e na Proteção Civil por causa das golas inflamáveis

Buscas no MAI e na Proteção Civil por causa das golas inflamáveis

A Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) da Polícia Judiciária está, esta quarta-feira de manhã, a realizar buscas em vários locais, por causa da compra das 70 mil golas antifumo inflamáveis, no âmbito do programa "Aldeia Segura".

O JN sabe que estão a ser feitas buscas no Ministério da Administração Interna (MAI), na Secretaria de Estado da Proteção Civil, na sede da Autoridade Nacional de Emergência da Proteção Civil (ANPC), na empresa Foxtrot, ao dono da mesma, que forneceu o equipamento ao Estado, e ainda a altos decisores políticos que viabilizaram o negócio.

Segundo a TVI, é o caso de Francisco Ferreira, adjunto do secretário de Estado da Proteção Civil, que se demitiu em julho, depois de ter assumido que a recomendação da empresa fornecedora partiu de si, num negócio superior a 328 mil euros, como tinha adiantado o JN.

O Ministério confirmou entretanto a realização das buscas no MAI e na ANPC, acrescentando que "está a ser prestada toda a colaboração na realização das referidas diligências".

Para já, ninguém foi detido na operação da PJ.

O "Jornal de Notícias" noticiou, em julho, que 70 mil golas antifumo fabricadas com material inflamável e sem tratamento anticarbonização, que custaram 125 mil euros, foram entregues pela Proteção Civil no âmbito dos programas "Aldeia Segura", não tendo a eficácia que deveriam ter - evitar inalações de fumos através de um efeito de filtro. Foram quase duas mil povoações, ao abrigo do programa de autoproteção das populações, que receberam estes e outros equipamentos, como coletes refletores, compostos por materiais combustíveis.

Este jornal avançou depois que a Proteção Civil pagou mais do dobro pelas 70 mil golas antifumo à empresa Foxtrot do que aquilo que custariam a valores normais. Por cada um destes equipamentos a ANEPC deu 1,80 euros, num total de 125 706 euros, sendo que, apurou o JN numa consulta ao mercado, o valor por peça ronda entre 63 e os 74 cêntimos (com IVA).

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) reagiu, justificando que os materiais distribuídos no âmbito dos programas não são de combate a incêndios nem de proteção individual, mas de sensibilização de boas-práticas.

Do lado do Ministério da Administração Interna, depois de ter desvalorizado o caso das golas e acusado a notícia de ser "alarmista" e "irresponsável", o ministro Eduardo Cabrita acabou por anunciar a abertura de um inquérito, dirigido pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal, logo após as notícias publicadas pelo JN.

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