Julgamento

Cabecilha diz que assalto a Tancos foi "uma grande estupidez"

Cabecilha diz que assalto a Tancos foi "uma grande estupidez"

O cabecilha confesso do assalto aos paióis de Tancos, em 2017, considerou esta quinta-feira, em tribunal, que o furto se tratou de "uma grande estupidez".

João Paulino, de 34 anos, admitiu, ao depor no julgamento, em Santarém, que foi o mentor do assalto, ocorrido na madrugada de 27 para 28 de junho de 2017. No furto, participaram, segundo o arguido, outras duas pessoas, igualmente acusadas no processo.

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O objetivo seria conseguir armas e munições para vender no mercado paralelo, mas Paulino terá sido surpreendido pelo material de guerra subtraído, que incluía granadas e explosivos.

"Estava arrependido daquilo que fiz, porque estávamos a falar de material perigosíssimo, que não era o que eu estava à espera", sublinhou, esta quinta-feira, o ex-fuzileiro. Igualmente assustado pelo "alarido" que se criou em torno do caso, optou, então, por devolver o material às autoridades.

A oportunidade para tal terá surgido em conversa com Bruno Ataíde, seu amigo de infância e colocado no Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Loulé. A devolução aconteceria, já em outubro de 2018, depois de ter tido a garantia de Ataíde e do seu chefe, Caetano Lima Santos, de que não seria "preso". Ambos terão dito que reportavam à Polícia Judiciária Militar. A instituição estaria, no seu entender, a dirigir a investigação, entretanto já atribuída pelo Ministério Público (MP) à PJ civil.

O acordo nunca foi passado a escrito. "Devia ter pedido um documento", lamentou Paulino. "O grande culpado disto tudo sou eu. [...] Foi uma grande estupidez", acrescentou, horas depois de ter afirmado que, se pudesse escolher, quereria ser o único condenado no processo.

Ao todo, são 23 os arguidos no processo, nove dos quais ligados ao furto e 14 à alegada recuperação do material, na Chamusca.

Contributo de "Fechaduras" essencial

Entre os acusados do assalto não está Paulo Lemos, conhecido por "Fechaduras", que, em março de 2017, terá planeado com Paulino o assalto. Esta quinta-feira, o ex-fuzileiro admitiu que, se não fosse o seu contributo, "possivelmente" não teria feito nada.

Segundo o arguido, terá sido Lemos a explicar que existia um instrumento, à venda em Espanha, capaz de abrir qualquer fechadura, independentemente do modelo. Depois disso, "Fechaduras" ter-se-á, porém, arrependido e denunciou à Polícia Judiciária civil e ao MP que estaria para ocorrer um assalto a instalações militares no Centro do país.

"Nunca disse para não fazer o assalto", assegurou, esta quinta-feira, Paulino, que acabou por não informar "Fechaduras" de quando seria executado o assalto. "Se eu tinha dado conhecimento, possivelmente iam-me prender", desabafou.

O julgamento continua a 9 de novembro, em Santarém, com o depoimento de outros presumíveis assaltantes.

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