Lisboa

Cantoneira atropelada por deputado só teve "tempo de se encolher"

Cantoneira atropelada por deputado só teve "tempo de se encolher"

A cantoneira atropelada, na madrugada de 17 de maio de 2016, por um deputado da Assembleia da República afirmou esta quinta-feira em tribunal que apenas teve "tempo de se encolher" antes de ser atingida pelo carro.

Maria Lúcia Santos, hoje com 38 anos, estava em cima do estribo do lado esquerdo do camião do lixo, parado no corredor BUS à direita da Avenida Almirante Gago Coutinho, em Lisboa, quando, pelas 01.50 horas de 17 de maio de 2016, o Seat Ibiza conduzido por Pedro Delgado Alves embateu no ponto onde se encontrava. A faixa tem, no sentido em que ocorreu o acidente, três vias. O deputado socialista e presidente da Junta de Freguesia do Lumiar, na capital, seguia na do meio.

"Tive um flash do olhar, vejo o carro e só tive tempo de me encolher. O estribo partiu e caí em pé", recordou na primeira sessão do julgamento, em Lisboa, a cantoneira. De acordo com a acusação do Ministério Público, do acidente "resultou risco de vida para a vítima". Maria Lúcia Santos, atualmente desempregada, ficou ferida com gravidade na perna esquerda e foi obrigada a tirar 596 dias de baixa.

Esta quinta-feira, Pedro Delgado Alves confirmou, no essencial, os acontecimentos, mas justificou o embate com uma avaria no carro, que pertencia à sua companheira.

"Na redução da mudança, da quarta para a terceira, o carro deixou de reagir, o volante ficou trancado e não o consegui mexer", afirmou o deputado, que, apesar de circular na via do meio, considerou que seria mais seguro circular mais ao centro da mesma e não tanto à direita. Terá sido durante esse movimento - primeiro para a esquerda e depois para a direita - que o bloqueio da direção terá acontecido.

"O momento em que ele ocorreu é o momento em que praticamente se deu o embate: foi uma questão de segundos, o que vejo é o airbag a abrir. Não tive um momento de alternativa, de travagem, do que seja", garantiu ao Tribunal.

Pedro Delgado Alves reconheceu, ainda assim, que o problema já ocorrera noutras ocasiões, mas sempre em situação de estacionamento e nunca em circulação. Na revisão do carro, cumprida dias antes, não terá sido detetado qualquer problema.

Esta quinta-feira, a queixosa e o condutor do camião do lixo asseguraram ao Tribunal que viram o deputado "levantar a cabeça". O deputado negou, no entanto, que estivesse distraído com o telemóvel ou com o rádio do automóvel. Na madrugada do acidente, não acusou a presença de álcool no sangue.

O julgamento continua a 16 de maio. Pedro Delgado Alves está acusado de um crime de ofensa à integridade física por negligência grave, punível até dois anos de prisão ou multa até 240 dias. Maria Lúcia Santos apresentou ainda um pedido de indemnização civil de 560 mil euros, cujo processo corre em separado nos tribunais cíveis.

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