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Capas de chuva lembraram número de mulheres assassinadas em Portugal

Capas de chuva lembraram número de mulheres assassinadas em Portugal

UMAR homenageou vítimas no Dia Internacional dos Direitos Humanos. Associação exige ações de prevenção nas escolas, formação dos profissionais ligados à questão da violência de género e, sobretudo, uma sociedade mais atenta

Carmo Oliveira, 50 anos, assassinada pelo ex-namorado, no Porto, em janeiro deste ano. Laura de Jesus, 82 anos, morta a tiro pelo filho, em Viseu, em março último. Carla Sofia Pereira, 38 anos, asfixiada até à morte pelo companheiro, em Aveiro, em junho. Maria de Deus, 58 anos, assassinada a tiro, em Faro, no mês passado.

Estas foram cinco das 23 mulheres assassinadas em Portugal, durante este ano (13 das quais no âmbito de relações de intimidade e sete em contexto familiar) que, nesta sexta-feira, foram homenageadas pela UMAR - União das Mulheres Alternativa e Resposta. Todas as vítimas tiveram o seu nome colado numa capa de chuva presa ao chão do largo da Igreja de Santo Ildefonso, no Porto, para que não sejam esquecidas e a sua morte sirva como alavanca para uma mudança de mentalidade, numa sociedade que continua a não fazer tudo o que é possível para travar demasiadas mortes.

"A sociedade fala, mas não age. As pessoas continuam a pensar que se denunciarem casos de violência têm consequências. Mas a denúncia é fundamental e pode ser feita de forma anónima", salienta a diretora técnica do Centro de Atendimento de Violência de Género da UMAR, no Porto.

Ao JN, Ilda Afonso garante, por este motivo, que "enquanto uma mulher for assassinada por ser mulher" a UMAR vai continuar a realizar iniciativas como a que decorreu na cidade portuense. "Falta fazer muita coisa", defende Ilda Afonso, que alerta para a necessidade de haver uma aposta séria "na prevenção, desde logo, na escola primária ou infantário", à semelhança do que se fez com o combate ao tabagismo ou na sensibilização ambiental. "Temos de trabalhar com as crianças para não termos futuros agressores. A formação tem de ser feita em todas as escolas, de forma contínua e por pessoas especializadas. A questão da igualdade de género também tem de ser ensinada nos cursos superiores", explica.

"Alguma coisa no sistema falhou"

A iniciativa realizada no Porto repetiu-se em várias cidades do país, no Dia Internacional dos Direitos Humanos. A presidente da UMAR, Liliana Rodrigues, refere que cada núcleo da associação teve autonomia para definir o tipo de intervenção, mas todos perseguiram o mesmo objetivo: chamar a atenção para o facto das mulheres serem assassinadas somente por serem mulheres.

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"A denúncia é fundamental. As pessoas têm de estar alerta", repete Liliana Rodrigues. A líder da UMAR destaca, ainda, as 50 mulheres que escaparam com vida a tentativas de homicídio e exige que estas tenham "um acompanhamento mais próximo, para garantir a sua segurança".

"Vai havendo mudanças, mas são lentas. A questão da violência de género não é tida muito em conta se não houver uma morte. É algo estrutural e está relacionado com a educação", lamenta.

Tal como Ilda Afonso, Liliana Rodrigues também pede mais "projetos de cidadania", o ensino das questões relacionadas com a violência de género nas escolas e a "formação dos profissionais que lidam com estas matérias".

"As leis de proteção à vítima ainda são insuficientes. Para estas mulheres terem morrido é porque alguma coisa no sistema falhou", acrescenta a presidente da UMAR.

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