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Rivalidade

Carlos Alexandre e Ivo Rosa: as duas faces polémicas do "Ticão"

Carlos Alexandre e Ivo Rosa: as duas faces polémicas do "Ticão"

Juízes que conduziram o inquérito e a instrução da Operação Marquês, cujo resultado será conhecido esta sexta-feira, trabalham lado a lado, mas têm perfis diametralmente opostos.

Carlos Alexandre e Ivo Rosa são os dois juízes do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC). O primeiro mandou prender preventivamente o ex-primeiro ministro; o outro decidirá se ele vai a julgamento. Ambos convivem bem com a responsabilidade e a polémica. Mas têm modos diferentes de interpretar a lei. Um agrada ao Ministério Público; o outro às defesas. São as duas faces de um mesmo "Ticão".

A 21 de novembro de 2014, José Sócrates foi detido no Aeroporto de Lisboa. A histórica detenção foi validada por Carlos Alexandre. A sua fama de "superjuiz", pela disponibilidade com que se entregava a processos de criminalidade complexa e violenta, cresceu ainda mais.

Carlos Alexandre, nascido em Mação há 60 anos, está no TCIC desde 2006. Ganhou estima junto de investigadores e procuradores por raramente discordar do Ministério Público (MP). Já poderia ter concorrido a tribunais superiores, mas nunca quis sair do "Ticão".

O único juiz do TCIC sempre tinha recusado ajuda, mas, em 2015, Ivo Rosa é nomeado para dividir a carga de trabalho. O novo juiz vinha com a fama, fundada, de ser o seu oposto.

Ainda hoje, Ivo Rosa é muito contestado dentro do MP, por, alegadamente, ter uma visão demasiado restritiva dos meios de prova e de se colocar ao lado das defesas e dos arguidos.

Em 2010, o juiz madeirense de 54 anos absolveu o "gangue do multibanco", acusado de mais de 100 assaltos violentos. O MP recorreu e a Relação de Lisboa mandou repetir o julgamento, apontando "erro grosseiro e ostensivo" ao coletivo presidido por Ivo Rosa. No novo julgamento, oito dos 12 arguidos acabariam condenados.

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Tal como os perfis, a relação entre os juízes também é distante. Cumprimentam-se, mas diz-se que não têm o número de telemóvel um do outro.

Em 2018, um sorteio eletrónico ditou que seria Ivo Rosa a conduzir a instrução da Operação Marquês. Em entrevista, Carlos Alexandre levantou dúvidas sobre a aleatoriedade dos sorteios, mas um inquérito afastou qualquer irregularidade.

ÓBITO

O advogado não conseguiu levar defesa até ao fim

José Sócrates escolheu um desconhecido, ligado ao direito bancário e cível, para o defender. João Araújo revelou-se polémico, sarcástico e, por vezes, irascível, atacando o MP e jornalistas: "[Inventam] novas suspeitas à medida que as velhas vão caducando". Morreu em 2020, com 70 anos. A defesa de Sócrates ficou entregue a Pedro Delille.

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