Tancos

Carlos Alexandre quer saber se Costa falou com Marcelo ou com alguém da Casa Militar

Carlos Alexandre quer saber se Costa falou com Marcelo ou com alguém da Casa Militar

O juiz de instrução Carlos Alexandre quer saber se o primeiro-ministro, António Costa, falou com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ou com algum elemento da Casa Militar da Presidência sobre a investigação ao furto de Tancos.

Num questionário de 100 perguntas enviadas a António Costa, arrolado como testemunha do caso de Tancos pelo seu ex-ministro da Defesa e arguido Azeredo Lopes, o juiz pergunta ao primeiro-ministro quando e através de quem teve conhecimento do assalto e questiona-o se o assalto aos Paióis Nacionais de Tancos (PNT) foi tema de conversa com Marcelo Rebelo de Sousa.

Carlos Alexandre quer saber quando foi a primeira vez que o primeiro-ministro falou com Azeredo Lopes e com o então chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (Rovisco Duarte) sobre o furto do armamento e se o assunto também foi abordado em conversas tidas com o à data diretor da Polícia Judiciária Militar (PJM) e arguido Luís Vieira, com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e com a secretária-geral do Sistema de Segurança Interna, Helena Fazenda.

No extenso questionário, o magistrado interroga o primeiro-ministro de que forma, por quem e a que horas teve conhecimento da recuperação na Chamusca do material furtado em Tancos e se soube da forma como ocorreu.

A investigação ao furto ter sido atribuída à Polícia Judiciária, por determinação da então procuradora-geral da República (PGR), Joana Marques Vidal, também consta do questionário, bem como a reação de Luís Vieira à decisão da PGR.

António Costa é também questionado sobre eventuais reuniões entre Azeredo Lopes e Luís Vieira fora do Ministério da Defesa.

Ao chefe do Governo é também perguntado se sabe se Azeredo Lopes e Luís Vieira mantiveram contactos com o tenente-general João Cordeiro, à data chefe da Casa Militar da Presidência da República.

O magistrado quer ainda saber se o primeiro-ministro concluiu que a recuperação do material de guerra tinha sido encenada pela PJM e se achou que tinha havido uma investigação à revelia da Polícia Judiciária.

As perguntas terminam com uma referência a um 'e-mail' de Luís Vieira para Vasco Brazão, arguido e à data dos factos porta-voz da PJM, no qual se lê que o diretor da PJM diz que contou tudo o que sabia ao chefe da Casa Militar do Presidente da República e que o primeiro-ministro deveria estar a receber 'inputs' de vários lados.

Sobre este assunto, o juiz quer saber se António Costa teve conhecimento do conteúdo do 'email' e se recebeu informações sobre o caso de Tancos.

O primeiro-ministro tem agora 15 dias para responder por escrito ao tribunal.

O processo de Tancos tem 23 acusados, incluindo o ex-diretor nacional da Polícia Judiciária Militar Luís Vieira, que já foi inquirido nesta fase, o ex-porta-voz da PJM Vasco Brazão e o ex-fuzileiro João Paulino, apontado como cabecilha do furto das armas, que respondem por um conjunto de crimes que incluem terrorismo, associação criminosa, denegação de justiça e prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influência, abuso de poder, recetação e detenção de arma proibida.

O caso do furto das armas foi divulgado pelo Exército em 29 de junho de 2017 com a indicação de que ocorrera no dia anterior, tendo a alegada recuperação do material de guerra ocorrido na região da Chamusca, Santarém, em outubro de 2017, numa operação que envolveu a PJM, em colaboração com elementos da GNR de Loulé.

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