Atropelamento

Carro do ministro foi apreendido, mas tinha seguro e guia para circular

Carro do ministro foi apreendido, mas tinha seguro e guia para circular

GNR e Ministério Público garantem que automóvel envolvido em acidente que matou trabalhador na A6 está a ser alvo de todas as perícias. Advogado da família da família mortal exige transparência.

O carro do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, envolvido no acidente na A6, que matou um trabalhador, está à guarda da GNR, tem seguro e, diz o Ministério Público (MP), está a ser alvo de perícias. A viatura também estava a ser usada pelo Estado após ter sido apreendida.

Fonte oficial da GNR afirmou, ao JN, que o BMW que transportava Eduardo Cabrita está na sua posse desde que, em 18 de junho, ocorreu o acidente, em Évora. Já em comunicado, a força de segurança garantiu que "nunca existiu qualquer "ordem superior" para impedir ou condicionar diligências relacionadas com a investigação do acidente", desmentindo, assim, notícias que davam conta de pressões para impedir os militares do Núcleo de Investigação Criminal em Acidentes de Viação de aceder ao automóvel. "A GNR desenvolveu e encontra-se a desenvolver todas as diligências", acrescentou.

Também o Departamento de Investigação e Ação Penal Regional de Évora esclareceu que "estão a ser realizadas todas as diligências de investigação consideradas pertinentes e adequadas". "Será de todo improvável que essa ordem [para impedir perícias ao BMW] tenha sido dada. O processo deriva de um despacho do procurador e nada se pode sobrepor a uma ordem judicial", sustentou, ao JN, José Lopes, presidente da Associação Nacional dos Sargentos da Guarda.

Mesmo assim, José Barros, advogado da família do trabalhador atropelado, defendeu que, "pelo seu mediatismo, o caso deveria ser particularmente transparente". "O MP deveria ordenar rapidamente a realização de uma perícia à viatura", frisou. José Barros reafirmou ainda que "o carro tem seguro de acidentes de viação" e que até já foi contactado por uma perita. O JN confirmou que o seguro é da companhia Ageas Portugal e está válido de 7 de abril deste ano até 6 abril de 2022.

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Ainda nesta quinta-feira, o gabinete de Eduardo Cabrita revelou que o automóvel encontra-se "na situação jurídica de apreendido", embora não tenha sido declarado perdido a favor do Estado, e "tem uma guia para poder circular válida até maio de 2023", emitida pela Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública.

Este esclarecimento surgiu depois do presidente do PSD, Rui Rio, ter alegado que "o carro pura e simplesmente não está registado na Conservatória". O social-democrata exigiu, por isso, esclarecimentos ao Governo, sobre um caso que "tem andado de trapalhada em trapalhada e cada vez se entende menos".

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