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Casal de Aguiar da Beira "estava no sítio errado à hora errada"

Casal de Aguiar da Beira "estava no sítio errado à hora errada"

Moradores de Palhais receberam notícia da morte de Luís Pinto no funeral da mãe do presidente da Junta.

A morte do construtor civil e tesoureiro da Junta de Freguesia de Palhais, Luís Pinto, de 29 anos, e o estado crítico da mulher, Liliane Mara, de 26 anos, ambos atingidos a tiro terça-feira na Estrada Nacional 229 (EN229), entre Aguiar da Beira e Viseu, fazia as conversas nos cafés e nas ruas daquela localidade de Trancoso.

Os moradores ainda estavam a processar a notícia que ali foi recebida ao princípio da noite de terça-feira, quando saíam do cemitério onde acabara de ser sepultada a mãe do presidente da Junta de Freguesia.

"Foram demasiadas emoções para um único dia", desabafava esta quarta-feira, ao JN, o autarca Hélio Martins, eleito pelo PSD. "O casal estava no sítio errado à hora errada", lamenta.

"Luís disse que vinha ao funeral"

Liliane e Luís saíram anteontem cedo de casa, em Benvende, próximo de Palhais. Iam para uma consulta de fertilidade no Centro Hospitalar Universitário de Coimbra. Na estrada, o casal, vítima de carjacking, foi baleado pelo suspeito de ter assassinado a tiro um GNR e de ter ferido outros dois guardas.

"O Luís disse que estaria em Palhais às 16 horas para o funeral da minha mãe. Como não apareceu, os pais ligaram-lhe, mas o telemóvel estava desligado. Ficaram preocupados, mas não pensaram que poderia ser o casal baleado de que se falava nas notícias", conta o autarca.

Pai em estado de choque

Submetido a uma operação cirúrgica há três semanas, o pai de Luís sentiu-se mal e recebeu quarta-feira em casa o médico de família.

"O Luís era comunicativo, muito brincalhão e adorava imitar as vozes e os gestos das pessoas, recorda, emocionado, Hélio Martins. As lágrimas enchem-lhe os olhos. "O maior sonho do Luís era ter um filho", adianta o autarca.

Para poder ir a consultas a Coimbra, Liliane tinha tirado uns dias de férias na Unidade de Cuidados Continuados da Santa Casa da Misericórdia, onde era auxiliar de ação médica desde 2011.

"Hoje [ontem] de manhã estava toda a gente de rastos, a chorar", relata o provedor, Fernando Andrade. "Um enfermeiro olhou para ela quando a encontraram e não a conseguiu reconhecer", conta o provedor, que não se cansa de elogiar a funcionária: "A Mara trata os idosos como filhos dela. Anda sempre muito alegre e é muito dedicada".

O pai de Liliane Mara foi ontem visitá-la aos cuidados intensivos no hospital de Viseu. "Os médicos dizem que o pior foi a pancada que lhe deram na cabeça", lamenta.

"As esperanças de que sobreviva são poucas", admite.

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