Footbal Leaks

Caso de covid interrompe julgamento de Rui Pinto

Caso de covid interrompe julgamento de Rui Pinto

O julgamento de Rui Pinto foi, esta quarta-feira, suspenso por pelo menos 14 dias depois de uma familiar de um dos juízes do coletivo ter testado positivo para covid-19.

A 27.ª sessão do julgamento, iniciado a 4 de setembro de 2020, foi suspensa pelas 10.45 horas, cerca de 15 minutos após o seu início, no Campus de Justiça de Lisboa. Nessa altura, testemunhava Pedro Henriques, figura central na alegada tentativa de extorsão de que a Doyen Sports terá sido alvo em 2015.

O Ministério Público (MP) acredita que Rui Pinto terá exigido entre 500 mil e um milhão de euros a Nélio Lucas, então diretor-geral da Doyen Sports, para deixar de publicar no site Football Leaks, do qual é o criador assumido, documentação confidencial relacionada com aquele fundo de investimento. O hacker, autointitulado denunciante, terá ainda solicitado que as negociações acontecessem entre advogados.

Rui Pinto - que se apresentaria, por e-mail, como Artem Lobuzov - terá então nomeado em seu nome Aníbal Pinto, igualmente arguido no processo. Do lado da Doyen Sports surgiu Pedro Henriques, próximo de Nélio Lucas e, segundo este, então seu assistente, mas não mandatário, do fundo de investimento.

Lucas, Henriques e Aníbal Pinto ter-se-ão mesmo encontrado, em outubro de 2015,na área de serviço de Oeiras na A5, mas o acordo nunca chegou a ser concluído. Rui e Aníbal Pinto - que garante que julgou estar apenas a negociar um contrato de trabalho - acabaram por ser acusados, em coautoria de um crime de tentativa de extorsão. O hacker responde ainda por mais 89 crimes informáticos. Alega que tudo o que fez foi por "um bem maior" e nunca recebeu qualquer verba.

"Manto de aparência de legalidade"

Esta quarta-feira, Henriques sublinhou que marcou presença na reunião com o objetivo de "tentar perceber a origem" e o autor "daquilo tudo". Na altura, sabia apenas que se tratava de um hacker, provavelmente russo.

PUB

"Eu vou estar na qualidade de advogado a fazer o quê?", perguntou então, já certo de que em causa estaria uma extorsão e "estarrecido" pela exigência de conversações entre advogados. "Só pode ser para ter um manto de aparência de legalidade", alegou.

O testemunho acabou por ser interrompido logo depois, após um dos magistrados ter sido informado de que uma familiar próxima está infetada com o novo coronavírus. Na sala estavam cerca de 30 pessoas, entre magistrados, advogados, arguidos, funcionários, polícias e jornalistas.

A diligência foi imediatamente interrompida, sem data para ser retomada. Até ao momento, havia sessões agendadas pelo menos ate 10 de dezembro de 2020, em média três vezes por semana. A 22 de dezembro, têm início, até 3 de janeiro de 2021, as férias judiciais, o que poderá atirar o reinício julgamento para o próximo ano.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG