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Caso dos Hammerskins: "Havia cadeiras no ar, pancadaria, uma confusão"

Caso dos Hammerskins: "Havia cadeiras no ar, pancadaria, uma confusão"

Homem agredido por alegados membros dos Hammerskins recordou esta quinta-feira, em tribunal, o ataque que sofreu num bar, em Lisboa. Caso será, por não ter sido motivado por ódio, uma exceção entre os restantes ocorridos na Grande Lisboa, entre 2013 e 2017. Julgamento de 27 arguidos começou há cerca de três semanas.

Um homem que, em 2015, foi agredido num bar no Bairro Alto, em Lisboa, reconheceu esta quinta-feira, em tribunal, um dos alegados membros dos Hammerskins que então o terão atacado: Ivo Valério, de 28 anos, que, até agora, optou por se remeter ao silêncio no julgamento.

Hugo L., de 41 anos, terá, segundo o próprio, sido visado por ter tido uma relação amorosa com uma mulher que, mais tarde, namorou com Nuno Cerejeira, de 47 anos, um dos 27 suspeitos de pertencerem ao violento grupo de extrema-direita atualmente em julgamento, em Lisboa. Este último - que optou igualmente por não falar para já - não estaria, na noite das agressões, no local.

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O caso remonta a 6 de fevereiro de 2015, quando Hugo L., então com 34 anos, e a sua atual namorada se encontravam num bar no Bairro Alto, uma das principais zonas de diversão noturna da capital. O casal terá sido então abordado por um grupo de quatro homens, que quereriam que o pasteleiro se sentasse com eles. Este recusou.

"Levantei-me, começaram a empurrar-me, empurrei outro e depois já havia cadeiras no ar, pancadaria, uma grande confusão", recordou esta quinta-feira, em tribunal, Hugo L.. A determinada altura terá caído ao chão e sido pontapeado. Por quem, não sabe dizer. "Quando se está deitado no chão, não se consegue ver", lembrou.

Terá sido depois que se refugiou por trás do balcão do bar, sendo então atingido na cabeça por uma garrafa. O autor desta última agressão terá sido, segundo o Ministério Público, Alexandre Silva, que Hugo L. diz ter visto, mas que, esta quinta-feira, não foi capaz de identificar em tribunal. O grupo acabaria por ser expulso do bar.

Questionado sobre o porquê do ataque, a vítima atribui-o ao facto de uma ex-namorada de Nuno Cerejeira, chamada Sandra, ter sido, anteriormente, sua namorada. "Acho que houve um que me disse: 'Tu és o ex-namorado da Sandra'".

Maioria atacada por ódio

O caso será, por não ter sido motivado por ódio, uma exceção entre os ataques que, entre 2013 e 2017, foram presumivelmente perpetrados pelos Hammerskins na Grande Lisboa, e que feriram 18 pessoas, incluindo negros, homossexuais, muçulmanos e comunistas.

Estes últimos terão sido agredidos, nomeadamente, a 20 de setembro de 2015, quando saíam de um comício do PCP que decorrera no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. "Chamaram-me 'comunista de merda' e disseram-me 'vamos matar-te'", testemunhou a 8 de março de 2022, segundo o jornal "Público", uma das vítimas.

Para a próxima semana, está agendado o depoimento de pelo menos dois homens que terão sido atacados por alguns dos arguidos, por aparentarem ser homossexuais. Um vendedor ambulante de origem senegalesa e um jovem negro apanhado ao sair de um autocarro são outras das vítimas que deverão testemunhar no julgamento. Algumas abandonaram, entretanto, Portugal, o que tem dificultado a sua notificação para comparecerem em tribunal.

No total, são 27 os suspeitos de pertencerem aos Hammerskins que, desde 23 de março de 2022, estão a ser julgados no Tribunal Central Criminal de Lisboa, por, entre outros crimes, tentativa de homicídio, ofensas à integridade física e discriminação racial, religiosa ou sexual. Têm entre 26 e 52 anos e profissões tão diversas como consultor imobiliário, guarda prisional, vigilante e auxiliar de educação num estabelecimento infantil. Estão todos em liberdade.

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