Beja

Militares da GNR começam a ser julgados por suspeita de sequestro e agressão a imigrantes

Militares da GNR começam a ser julgados por suspeita de sequestro e agressão a imigrantes

Começou esta segunda-feira no Juízo Central Criminal de Beja o julgamento de cinco militares, com idades entre os 24 e os 36 anos, um pertence ao posto de Odemira e os outros quatro ao posto de Vila Nova de Milfontes, do Destacamento Territorial de Odemira da GNR, suspeitos de sequestro e agressão a imigrantes indianos.

Os cinco arguidos estão acusados em co-autoria de oito crimes, sendo quatro de ofensa à integridade física qualificada, dois de sequestro e dois de violação de domicílio por funcionário. Um dos arguidos responde ainda pela prática de um crime de falsificação de documento.

Na abertura da primeira sessão o juiz presidente, Vítor Maneta, fez questão de lembrar aos arguidos que "estão a ser julgados enquanto militares da GNR e que têm um código deontológico e em caso de prestarem declarações, o devem respeitar, tal como à comunidade", justificou.

Também a forma como o advogado do primeiro dos arguidos, André R., questionou o seu cliente levou o magistrado a avisar o causídico de que "se não seguir a metodologia que se deseja, isto não vai correr bem", isto já depois de ter verberado o comportamento do arguido quando foi respondendo ao Procurador do Ministério Público, com o "não me recordo", levou a que o presidente do Coletivo dissesse que "é natural que esteja cansado. Podemos fazer uma pausa", justificou.

Mas os incidentes da manhã não ficaram por aqui, já que após o primeiro arguido ter concluído as suas declarações Vítor Maneta, avisou os presentes na sala que "quem quer assistir não entra e sai." "Aqui não há pombos-correios", isto depois da companheira do arguido ter saído e entrado na sala duas vezes no decurso do julgamento.

Os cinco militares estão suspensos de funções, mas o arguido ouvido durante a manhã desta segunda-feira é o único sujeito à obrigação de permanência na habitação, "refutou a existência de agressões" aos cidadãos indianos, admitiu "a entrada indevida" em casa das vítimas, sustentando que a acusação "é uma falácia para denegrir a minha imagem", justificou. O arguido admitiu ao coletivo: "Sou tão culpado como eles, como eles são tão culpados como eu", rematou.

Detidos em 8 de maio de 2019, após uma operação da PJ de Setúbal, os militares estão acusados de terem seguido todos para a localidade de Longueira-Almograve, onde "forçaram um portão e depois a porta de uma habitação, e baterem gratuitamente, em indivíduos indianos com que se depararam".

O caso teve origem num jantar que se realizou a 30 de setembro de 2018, num restaurante de Almograve, que juntou cerca de 25 trabalhadores agrícolas indianos, "patrocinado" por ​​​​​​​Gurjit Singh, que segundo a acusação "está conotado pelas autoridades policiais com o tráfico de seres humanos para exploração laboral".

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