Bragança

Começaram a ser julgados sete arguidos no caso Giovani

Começaram a ser julgados sete arguidos no caso Giovani

Começou esta quarta-feira, no Tribunal de Bragança, o julgamento de sete homens, entre os 24 e os 36 anos, acusados de coautoria de um crime de homicídio consumado contra o estudante cabo-verdiano Luís Giovani Rodrigues, na sequência de uma contenda numa rua, na madrugada de 21 de dezembro de 2019.

Os arguidos estão ainda acusados de três crimes de ofensas à integridade física relativamente aos amigos que acompanhavam Giovani, aluno do Instituto Politécnico de Bragança, naquela noite, quando terá ocorrido um episódio de violência entre os dois grupos à saída de um bar na zona da Avenida Sá Carneiro.

Ao longo da manhã, o arguido Bruno Fará prestou declarações, durante cerca de duas horas. O advogado de defesa, Gil Balsemão, explicou que o seu constituinte chegou ao local já na fase final da contenda, transportando um pau, que se partiu em dois a determinada altura. "Tudo se resume a um ou dois minutos em que a contenda dele é com Valdo (jovem cabo-verdiano) e não com o Luís Giovani. Mas estão acusados em coautoria. O conflito começou no bar Lagoa Azul, por causa da namorada, mas depois foi embora e quando regressa o conflito está na fase final. Ele não teve nenhuma disputa com o Giovani, que este estaria em luta com outros arguidos ", sublinhou o advogado.

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O causídico considera que o julgamento "é essencial para a descoberta da verdade e para se provar que a causa da morte do jovem cabo-verdiano não terá sido a contenda, mas uma queda quando estava a ausentar-se do local dos conflitos".

Estão ainda acusados Carlos Rebelo, André Pires, Tiago Afonso, Tiago Baltazar, Jorge Liberato e Bruno Coutinho.

Os arguidos declararam que não são responsáveis pela morte do estudante. "O meu cliente está confiante de que a verdade virá ao de cima e que a morte de Giovani não ficou a dever-se aos factos perpetrados pelos arguidos, mas sim uma queda nas escadas", afirmou Ricardo Vara Cavaleiro, advogado de Tiago Afonso.

O relatório da autópsia aponta que a morte se deve a um traumatismo craniano que resultou de um choque violento com algo contundente, mas não é conclusiva se foi originada por uma pancada resultante de agressões ou por uma queda, uma vez que Luís Giovani terá caído numas escadas, pelo que relataram várias testemunhas.

O advogado da família da vítima mortal, Paulo Abreu, considera que em vários momentos do processo se confirmou que a causa da morte se deve a agressões. "Nós no primeiro momento tínhamos a ideia que a morte resultou das agressões, no segundo momento com a acusação, o Ministério Público reforçou essa ideia, e no terceiro momento, com o despacho de pronúncia, manteve-se", destacou o advogado.

A família pede uma indemnização, cujo valor Paulo Abreu não quis revelar, mas que poderá rondar os 300 mil euros segundo apuramos.

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