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Condenado a 18 anos de prisão por homicídio à facada em Guimarães

Condenado a 18 anos de prisão por homicídio à facada em Guimarães

O autor do homicídio de uma mulher de 46 anos, ocorrido a 20 de abril do ano passado em Fermentões, Guimarães, foi condenado a 18 anos de prisão. Tem ainda de pagar cerca de 230 mil euros.

José das Neves Ferreira, de 53 anos, desempregado, foi esta quarta-feira condenado por um crime de homicídio simples, outro de tentativa de homicídio e dois de ofensa à integridade física.

A condenação diz respeito ao episódio ocorrido a 20 de abril à porta de um café de Fermentões. O Tribunal de Guimarães deu como provado que José alterou-se quando ouviu um rapaz a cantar "maluco, maluco, maluco" e, pensando que o estavam a gozar, puxou de um objeto cortante e desferiu-lhe várias facadas.

Depois da primeira agressão, gerou-se um cenário de violência que culminou no esfaqueamento de mais três pessoas, entre as quais Maria José Dias de 46 anos, a quem o arguido desferiu sete facadas, causando-lhe a morte. Mais três pessoas ficaram feridas. "Desferiu naqueles ofendidos vários golpes", enumerou o tribunal.

Em julgamento, o arguido teve "um discurso de desresponsabilização", disse o presidente do coletivo de juízes. Alegou que existia um complô entre vizinhos e habitantes de Fermentões contra ele, que o gozavam e que por isso se sentiu humilhado, culminando nas agressões.

Contudo, a versão do arguido não foi atendida pelo coletivo de juízes, que considerou que José das Neves Ferreira "sabia que podia causar a morte, tal como se confirmou". Para além disso, frisou o juiz presidente, o arguido "nunca falou nem apresentou condolências" à família enlutada, composta por cinco filhos que ficaram órfãos de mãe por causa das agressões.

José estava acusado de homicídio qualificado na forma consumada, mas o coletivo não considerou existirem motivos para a qualificação do crime, pelo que condenou José por homicídio simples. Este crime, a juntar à tentativa de homicídio e aos dois crimes de ofensas à integridade física, resultaram numa condenação a 18 anos de prisão. Esta quarta-feira, na leitura da sentença, José permaneceu impávido e quis falar no final, mas a sessão já tinha sido dada como terminada.

José está, atualmente, em prisão preventiva, tendo sido detido pela PSP de Guimarães e Polícia Judiciária de Braga na noite dos factos. O objeto cortante usado nos crimes nunca chegou a ser encontrado.

Para além da pena de 18 anos, o arguido terá de pagar cerca de 230 mil euros em indemnizações, danos patrimoniais e não patrimoniais às pessoas que esfaqueou, para além dos familiares de Maria José Dias, a quem causou a morte.

Antes de ser detido, José estava desempregado e vivia numa casa da Casfig, da Câmara de Guimarães. Auferia o Rendimento Social de Inserção pois não encontrava emprego na sua área, construção civil.

Do relatório psiquiátrico ficou concluído que o homicida apresenta vários sintomas de transtorno de personalidade paranoide, caracterizado por "ações rápidas e não planeadas com risco elevado de violência".

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