Estado de emergência

Condutores obrigados a dizer porque circulam

Condutores obrigados a dizer porque circulam

PSP manda parar de forma sistemática carros que andam na estrada, incluindo nas grandes cidades. Duplicam estabelecimentos fechados pelas autoridades.

Os condutores que circulam nas grandes cidades e outros pontos urbanos do país estão a ser abordados pela PSP, em controlos sistemáticos na estrada, para explicarem o porquê de não estarem em casa. Ao JN, fonte oficial da instituição confirma que os polícias têm ordem para mandar parar a maioria dos carros e perguntar às pessoas o que "andam a fazer" na rua. Mas "com muita parcimónia".

Desde domingo que, na sequência do decreto que regulamenta o estado de emergência, a generalidade dos cidadãos está autorizada a sair de casa apenas para, entre outros fins, ir trabalhar ou comprar bens essenciais, prestar apoio a pessoas vulneráveis e realizar deslocações de curta duração para momentos de lazer, cumprindo o distanciamento social. O objetivo é evitar a propagação da Covid-19.

A maioria, admite a mesma fonte, até conhece as regras, mas está, ainda assim, a ser informada de que "a regra é ficar em casa", num controlo que abrange, propositadamente, quase todos os veículos. "Também não é fechar a rua", ressalva.

795 ficaram na fronteira

Certo é que, em quatro dias de estado de emergência, foram já, segundo o Ministério da Administração Interna, 39 as pessoas detidas ou por desobedecerem a ordens das autoridades para regressarem à sua habitação ou por desrespeitarem a obrigatoriedade de permanecer em casa, por estarem infetadas com o novo coronavírus, terem contactado com alguém nessa condição ou encontrarem-se de quarentena depois de terem entrado em Portugal.

No mesmo período, foram encerrados 649 estabelecimentos que não cumpriram a determinação para fechar portas ou, no caso dos restaurantes, servir refeições exclusivamente para fora. O número, aferido às 18 horas de ontem, mais do que duplicou face ao balanço feito 24 horas antes (274 casos).

Igualmente controlado pelas autoridades tem sido o acesso a território nacional pela fronteira terrestre, onde foram barradas 795 das 69 965 pessoas abordadas entre as 23 horas de 16 deste mês e as 23 horas de anteontem. Segundo dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), a maioria das recusas verificou-se em Valença (269), no Minho, Caia (182), no Alentejo, e Castro Marim (146), no Algarve. Houve ainda, neste período, uma detenção.

Álcool furtado

Já na Madeira, a PSP foi ontem chamada para o furto de várias embalagens de álcool etílico, em quantidade não apurada, do Laboratório Regional de Saúde Pública. O alerta foi dado, de manhã, pelos funcionários que ali se deslocaram para trabalhar.

O álcool tem sido um dos produtos mais procurados no mercado por quem se tenta proteger do vírus.