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"Confiança" justificou transferência de oito milhões sem contrato-promessa, diz Granadeiro

"Confiança" justificou transferência de oito milhões sem contrato-promessa, diz Granadeiro

O ex-administrador da Portugal Telecom (PT) Henrique Granadeiro invocou esta terça-feira, em tribunal, a "confiança entre as partes" para justificar o porquê de, em 2011, ter recebido, sem que fosse celebrado qualquer contrato-promessa, oito milhões de euros do Grupo Espírito Santo (GES) como sinal de um negócio imobiliário de 14 milhões de euros.

"A base dos contratos de qualquer natureza é a confiança entre as partes. Não há contrato-promessa escrito. Noventa por cento dos contratos que se faz não é por escrito", defendeu Henrique Granadeiro, ao testemunhar, em Lisboa, no julgamento de Ricardo Salgado. O contrato principal foi celebrado mais tarde.

O ex-presidente do Banco Espírito Santo (BES) responde por três crimes de abuso de confiança, por se ter alegadamente apropriado, em 2011, de 10,7 milhões do GES. O desvio terá sido feito em três parcelas, uma das quais a partir de uma conta bancária de Granadeiro para uma outra de uma offshore controlada por Salgado. O Ministério Público acredita que este montante, de quase quatro de milhões de euros, está relacionado com aqueles oito milhões de euros, que desconfia não estarem relacionados com qualquer negócio imobiliário.

Esta terça-feira, Granadeiro garantiu, num depoimento por videoconferência, que os quase quatro milhões de euros se destinaram a comprar um imóvel do antigo banqueiro no Brasil. "Ainda não fiz escritura desse contrato. Hei de formalizar um dia", alegou, acrescentando que, desde que começou a Operação Marquês, não falou com Salgado nem mexeu no seu património.

À data, a liquidez terá sido conseguida com o negócio imobiliário inicial e que se destinaria à construção de um campo de golfe e de alojamento turístico no Alentejo. Apesar de os 14 milhões de euros terem chegado a ser transferidos, os projetos nunca avançaram.

Questionado pelo tribunal sobre o porquê de ter optado por investir o dinheiro numa casa de luxo no Brasil e não na construção daquele empreendimento, Granadeiro retorquiu que tem de se "pôr as coisas na sua época". E precisou que, pouco depois de ter tomado a decisão de diversificar a atividade da sua herdade, o negócio do golfe ali e noutros locais "estava praticamente acabado". "Eu não tinha estatuto para ter uma casa daquelas [no Brasil]: foi um investimento especulativo", admitiu.

Granadeiro, de 77 anos, chegou a estar acusado no, âmbito da Operação Marquês, de um crime de abuso de confiança em coautoria com Salgado, entre outros ilícitos. Mas em abril de 2021, acabou por ser ilibado, no final da instrução do processo, de todos os crimes. O processo do antigo banqueiro e no qual testemunhou esta terça-feira foi, na mesma ocasião, separado da Operação Marquês.

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O julgamento continua esta terça-feira à tarde, com as restantes testemunhas arroladas pelo Ministério Público. Salgado, que assegura ser inocente, incorre numa pena que pode ir até oito anos de prisão por cada um dos três crimes de abuso de confiança por que está pronunciado (acusado após a instrução).

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